segunda-feira, 23 de março de 2015

Designer brasileira transforma sacos de cimento em vestidos de noiva

por Ciclo Vivo

(Divulgação)

O casamento é o dia mais esperado de uma noiva. Mas, já pensou passar este momento em um vestido feito de sacos de cimento?

Ao contrário do que se possa imaginar, isso é possível e ainda em grande estilo, graças ao trabalho da designer de moda Iáskara Isadora.

Com apenas 26 anos, a jovem de Minas Gerais se inspirou na técnica do artista plástico brasileiro Hilal Sami Hilal para transformar materiais recicláveis em tecido.

As principais matérias-primas usadas por ela são os sacos de cimento e fibras de bananeira, que passam por um processo de manufatura e ganham uma forma totalmente diferente. 

Segundo a designer, o primeiro passo é a higienização do material. Depois de lavados, os sacos são rasgados, colocados de molho e batidos em um liquidificador industrial até virar uma pasta.

A partir daí, as fibras de bananeira são acrescentadas ao processo, descoloridas e tingidas naturalmente, quando necessário. Os materiais se transformam em uma pasta, que tomará a forma de tecido.

Em entrevista ao Ciclo Vivo, Iáskara explica que unir sustentabilidade e moda sempre foi algo de seu interesse.

“Desde que ingressei na graduação desenvolvo pesquisas relacionadas à introdução da sustentabilidade na moda. Desta forma, utilizo os meus conhecimentos para confeccionar os produtos.”

(Divulgação)

A primeira coleção sustentável foi feita para o Trabalho de Conclusão de Curso, quando a jovem cursava Design de Moda na Universidade Federal de Minas Gerais.

As primeiras peças foram usadas apenas para exposição, mas com o aprimoramento da técnica e a inserção de novas fibras e resinas, foi possível chegar a um tecido resistente o suficiente para criar uma coleção que pode ser usada na rua.

Quem vê os vestidos de noiva criados a partir do material sustentável nem imagina que são feitos com uma fonte bastante alternativa. “As pessoas ficam intrigadas e perplexas quando descobrem a matéria-prima utilizada nas peças”, comenta a mineira.

Os vestidos são feitos de forma totalmente artesanal. A pasta obtida no processo de reciclagem é colocada em uma bisnaga, que Iáskara usa para desenhar manualmente todos os detalhes sobre um tule.

O formato de renda já garante certa resistência à água, mas a designer trabalha agora em uma resina derivada da bananeira para que a matéria-prima seja totalmente impermeável.

Todo este trabalho faz com que o processo de fabricação leve, em média, três meses. Os vestidos são comercializados a partir de três mil reais. 


Saiba mais sobre o trabalho da designer em seu site: http://iaskaraisadora.com/

Créditos:
Foto: Nilson Domingos
Acessórios: Fernanda Oliveira
Make up: Miriam Daniela
Hair: Vanessa Machado.

Projeto sugere criar ciclovia em túneis abandonados de Londres

por Redação CicloVivo

A ideia é contar com estação de compartilhamento de bicicleta e cafeteria.
A ideia é contar com estação de compartilhamento de bicicleta e cafeteria (Divulgação)

O que acontece nos túneis abandonados da sua cidade? Na capital da Inglaterra um projeto sugere ceder o espaço para os ciclistas. É uma maneira de aproveitar os locais que hoje são inutilizados para criar uma grande estrutura que inclua também pontos de convivência - com estação de compartilhamento de bicicleta e cafeteria, por exemplo.

A ideia é da empresa de design Gensler. As ciclovias subterrâneas seriam feitas principalmente nos trechos próximos as estações do centro de Londres. Batizado de London Underline, o projeto foi premiado como o melhor em um concurso sobre planejamento para a cidade.

Além de sistema de empréstimo de bicicletas públicas, a ideia é que os moradores também possam contar com cafés e pontos de compras online. O projeto também sugere a implementação de uma tecnologia na pavimentação que aproveitasse a fricção dos pneus das bicicletas para gerar energia nos espaços.

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Mas, de onde sairá o dinheiro para investir nesse projeto? Um dos problemas é que os túneis não têm uma extensão tão longa que justifique a verba necessária. Por isso, o escritório sugere vender espaço publicitário para a divulgação de marcas. Seria usado outdoors, colocaria o nome de empresas nas estações e assim pagaria o investimento para tirar o projeto do papel.

Assista:


A vanguarda na sala de aula

Falta de familiaridade das escolas com obras experimentais faz com que alunos se apeguem a noções antiquadas de arte

por Dirce Waltrick do Amarante

RIO - Neste início do ano letivo, a pergunta que me faço é se as vanguardas artísticas são de fato estudadas na escola, pois parece-me, ainda hoje, serem muitas as crianças, os jovens e os adultos que, diante de uma obra de vanguarda, se perguntam se o que estão vendo é arte. Há muitos materiais recentes para o público infantil que podem ajudar a introduzir o tema às crianças. Começarei citando “Alice no País das Maravilhas” (Globo Livros, 2014), de Lewis Carroll, ilustrado pela artista japonesa contemporânea Yayoi Kusama, conhecida internacionalmente pelas suas performances, mas também por suas pinturas, desenhos e esculturas. Kusama afirma que tudo e todos no universo não passam de bolas ou pontos, e é assim que ela ilustra Alice, sem nenhuma concessão, de modo que as crianças não encontrarão no livro os personagens de Carroll realisticamente desenhados, como estão acostumadas, e sim algo que beira o psicodélico.

Outro livro que explora um tema caro às vanguardas é “A menina Cláudia e o rinoceronte” (José Olympio, 2013), de Ferreira Gullar. Nele, uma pequena artista descobre, brincando com recortes de jornal, que muitas vezes o acaso deve ser incorporado à arte e aceito pelo público, como acreditavam Stéphane Mallarmé, John Cage e outros. A propósito disso, Ferreira Gullar expôs recentemente seus próprios recortes e colagens que exploram essa mesma noção. Vale lembrar também que Henri Matisse dedicou os últimos anos de vida à colagem, que ele elevou à dimensão de grande arte.

Ilustração da artista plástica Yayoi Kusama para o livro “Alice”, de Lewis Carroll (Divulgação)

Mas se tivesse de indicar um livro para apresentar as vanguardas às crianças, escolheria “O menino arteiro” (Editora Dedo de Prosa, 2011), escrito por Gil Veloso e ilustrado com obras de Guto Lacaz. Um ótimo livro verbo-visual que fala da arte experimental do passado e do presente, sem se propor a ser um tratado sobre o tema.

O livro conta a história de um menino que gostava de dar aos objetos cotidianos “novos sentidos, outras funções e instalações”. Certo dia, ele reuniu a família e os amigos para apresentar seus inventos artísticos. O menino é descrito como um artista “dotado de identidade própria e olhar irônico”, que “mostra versatilidade e o impulso das vanguardas...”. Sua “PerformancExibição” chocou e indignou os presentes, reações comuns em espectadores sem familiaridade com a arte moderna e contemporânea.

Essa falta de familiaridade é uma lacuna que a escola ainda não sanou. Em geral, nos bancos escolares, somos apresentados a uma arte tradicional, que precisa produzir semelhanças (mesmo depois de a câmara fotográfica ter libertado o artista desse trabalho de reprodução) ou contar uma história. A arte “nova”, que vai trabalhar com ideias em detrimento do meio e que pretende quebrar paradigmas, ainda “confunde nossos cérebros racionais”, como afirma Will Gompertz.

Segundo Gompertz, depois que o artista francês Marcel Duchamp criou sua famosa “fonte” (um mictório de cabeça para baixo), o trabalho do artista passou a não ter mais por objetivo proporcionar apenas prazer estético. Para Duchamp, diz o crítico inglês, “o papel do artista na sociedade era semelhante ao de um filósofo, não importava sequer se ele sabia pintar ou desenhar”, ele devia fazer pensar.

Para os artistas de vanguarda, portanto, a ideia vem em primeiro lugar: “só depois de ter escolhido e desenvolvido um conceito, o artista estava em condições de escolher um meio, e o meio deveria ser aquele que permitisse expressar a ideia de maneira mais bem-sucedida [...]”, diz Gompertz.

O protagonista de Gil Veloso queria “descobrir o coração das coisas” e recriar a concepção do objeto: “Editou um Livrovivo, cujas orelhas eram de jumento e os pés das páginas calçavam galochas”. “E você acha que se trata de uma obra de arte?”, perguntavam a ele.

Se o texto de Veloso brinca com as palavras — como na frase “Sou um parafuso distorcido e confuso, preciso de uma chave que me defenda, argumentava” —, as obras de Guto Lacaz, que ilustram e inspiraram o livro, instigam a imaginação do leitor, como em “lógico equilíbrio”: sobre um pedestal de madeira, vemos, um sobre o outro, uma tesoura, uma colher e um garfo.

Lê-se no livro de Veloso que o menino é “arguto e loquaz”, numa clara brincadeira com o nome de Guto Lacaz, de modo que se pode considerar o protagonista como um alter ego do artista brasileiro.

lustração de Guto Lacaz para o livro “O menino arteiro” - Divulgação

Se considerarmos o ensino da arte na escola, as palavras do crítico de arte britânico Herbert Read, escritas nos anos 1940, parecem ser, por incrível que pareça, ainda bastante atuais. Para Read, na escola, “um desenho é ‘bom’ ou ‘ruim’, ‘bem executado’ ou ‘descuidado’, ‘exato’ ou ‘inexato’, segundo um padrão inconscientemente aceito do naturalismo, com, talvez, uma ligeira tendência à idealização clássica humana”.

Read conclui, no entanto, que a criança tem um “olhar que não é influenciado pelo pensamento racional ou dedutivo, um olhar que aceita a correlação, a autossuficiência das imagens que vêm à mente [...]. O que a criança escreve, ou desenha, seria mais bem descrito como ato de instituição poética, e trata-se de um mistério além de nossa análise lógica”.

Nesse sentido, as vanguardas estariam muito mais próximas da infância do que supõem certos professores que se sentem desconfortáveis com elas. “O menino arteiro” traz uma interessante epígrafe: “Um artista é um grande homem numa grande criança”. A frase é de Victor Hugo, ele mesmo um artista revolucionário.


Dirce Waltrick do Amarante é autora, entre outros, de “Pequena biblioteca para crianças: um guia de leitura para pais e professores” (Iluminuras).

segunda-feira, 2 de março de 2015

Designer cria confortável banquinho que parece pedra

por Luciana Carvalho, de Exame.com

Bancos que parecem de pedra

Você se sentaria neste banco? De longe, não parece ser muito confortável. Parece. Na verdade, o móvel é feito de uma confortável espuma, que imita um bloco de pedra, mas é macio.

O projeto partiu do designer holandês Matthijs Kok, que se inspirou no conceito de Instalação Artística para criar o objeto. A construção do tamborete, resumida em um vídeo no YouTube, começou com uma pesquisa do material, para criar a receita de uma espuma macia.

Ele adicionou grãos de argila e tinta a uma espuma macia no estado líquido, que, ao se expandir, ganha a textura de uma pedra. Para que a forma ficasse com a aparência desejada, Kok criou um molde de silicone, onde despejou a mistura, cujo tamanho aumentou 16 vezes até ficar com a modelagem planejada.

Nesse processo, os grãos de argila fazem com que a espuma fique com textura de pedra-sabão. O toque final vem com a pintura acinzentada e a instalação das pernas.


Veja mais no vídeo: