quinta-feira, 31 de julho de 2014

Design divertido e funcional: Judson Beaumont

Quando o designer Judson Beaumont criou sua empresa Straight Line Design ele queria oferecer peças únicas, originais e exclusivas a quem quisesse contratar seus serviços. E isso é o que ele tem feito nos últimos 25 anos.


Além de instalações artísticas e esculturas sob encomenda, ele e sua equipe de 8 artesãos também trabalham construindo uma variedade de móveis que parecem ter saído diretamente de um desenho animado para projetos de instituições públicas e exposições de arte para crianças, nos Estados Unidos e em outros países.


Focado em qualidade e design personalizado, o estúdio não está interessado na produção em série e sim em fazer peças que sejam tão incríveis quanto a imaginação de uma criança.


Esta poltrona, criada pelo designer canadense Judson Beaumont, tem um design divertido e muito funcional, especialmente para pequenos espaços. É que, ao invés da base tradicional, a parte inferior do assento é oca, sendo, assim, possível usar o espaço como uma espécie de nicho para guardar alguns objetos. Para obter simetria, as peças são desenhadas em um computador e cortadas a laser. Todas de madeira e estofadas com vinil.


As poltronas são artesanais e feitas sob encomenda. Não há lojas representantes no Brasil, mas você pode entrar em contato com o ateliê pelo site Judson Beaumont.


Fonte: Hypeness e Jornal O Globo.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

15 marcas que fizeram faxina na imagem em 2014

Confira o antes e depois das empresas que aproveitaram para mudar de visual neste ano (até agora)
Mirela Portugal, de 

São Paulo - Na última sexta-feira, o SBT anunciou o lançamento de uma nova identidade visual, como parte da celebração dos 33 anos da emissora.

Foi a última empresa a engrossar uma longa lista de renovações de imagem que aconteceram em 2014, e incluem marcas como Nescafé, Visa, Cadillac e Correios.
As mudanças muitas vezes representam reposicionamentos para novas realidades de mercado. Em outras ocasiões, são apenas ajustes de estilo, seguindo a tendência de design que abre mão de sombras e efeitos de profundidade.
Confira, a seguir, as marcas que renovaram seu visual em 2014 - até agora.
Nescafé


Em junho, Nestlé apresentou um novo posicionamento do produto, que em seus mais de 70 anos de história, pela primeira vez, terá identidade visual unificada nos 180 países onde é vendido, incluindo o Brasil. A CBA é a agência responsável pelo novo design e pelas novas embalagens. Também foi criado um novo slogan global: “Tudo começa com um Nescafé”.

Visa


Ainda em janeiro, a Visa transformou sua imagem. A reforma retirou a dobra amarela na ponta do “V”, e o nome ganhou um gradiente em azul. Segundo a empresa, as mudanças fazem parte de seu novo posicionamento, que agora vai utilizar a assinatura “Everywhere you want to be” (Em todos os lugares que você quiser estar).

Reebok


Em março, a Reebok anunciou o lançamento de um novo logotipo, o Rebook Delta. A alteração reforça a mudança de foco e reposicionamento da marca, que agora é o fitness. O novo símbolo está presente em tênis e produtos de corrida, ioga e dança. A meta é revitalizar a marca, que estava vulnerável há anos, após ter perdido espaço para as rivais Nike e Puma.


Correios


 Anunciada em maio, a nova marca dos Correios mostra duas setas associadas, uma amarela e outra azul, cada uma indicando um sentido. Nas palavras da estatal, o desenho simboliza a "poderosa capacidade de conectar pessoas". O projeto, incluindo divulgação e troca de letreiros, custou R$ 42 milhões. A criação é da agência Master Roma Waiteman.

Netfllix


 A Netflix mudou o visual em junho, dando adeus ao seu logo branco, preto e vermelho. No lugar, um desenho de estilo mais limpo, com letras vermelhas em fundo branco. A estreia da segunda temporada de Orange is The New Black foi escolhida para marcar a mudança, que incluiu um redesign da interface do acervo de séries e filmes.

Paypal


Pela primeira vez desde 2007, o serviço de pagamentos online refurmulou seu design. A nova marca, anunciada em abril, foi feita tendo em mente celulares e o crescimento dos pagamentos mobile. “O novo visual procura refletir a simplicidade, a conveniência e a segurança garantidas pelo serviço”, afirmou a empresa em comunicado. A criação é do estúdio de design fuseproject.

Netshoes


 A  Netshoes anunciou visual novo em fevereiro deste ano, como parte de um processo de modernização da marca. Segundo o e-commerce, o objetivo foi criar a imagem de uma empresa global e dinânica. A mudança incluiu nova tipografia e ausência de slogans. O resultado foi definido após um ano de estudo de branding realizado em parceria com a consultoria Interbrand.

Cadillac


A marca de carros de luxo perdeu sua coroa de louros em janeiro. O ornamento central foi repaginado para uma versão mais longa e mais baixa, mas suas cores internas (azul, vermelho, dourado e preto) permaneceram. A última alteração de identidade visual havia acontecido em 1999.

Airbnb


 Fundada em 2008, a startup de aluguel de quartos, apartamentos e casa pela internet mudou de visual no meio de julho. Batizado de Bélo, o novo logotipo é classificado pela empresa como "o símbolo universal do pertencimento". A assinatura do projeto é do DesignStudio, de Londres. 

SBT


Para marcar seu aniversário de 33 anos, o SBT anunciou uma nova identidade visual. Com efeitos 3D e um slogan formado pela hashtag #Compartilhe, a mudança representa uma busca por juventude, diz a empresa. A criação é assinada pela agência Publicis Brasil e irá ao ar a partir de 18 de agosto.

Globo


 A icônica identidade visual da emissora foi alterada para marcar o aniversário de 50 anos da empresa. Seu exterior cinza metálico foi trocado pela cor branca, e o colorido da tela interna da esfera foi mantido. O novo visual foi apresentado no programa “Vem Aí”, em março deste ano.

Black & Decker


Tradicional marca do setor de ferramentas e eletrodomésticos, a empresa passou por sua mudança mais radical. No nome, o & deu lugar a um sinal de mais, e a grafia nova é "Black+Decker". O símbolo hexagonal, presente desde 1921, desapareceu. O projeto é da Lippincott.
Lipton

Para acompanhar seu novo posicionamento global, uma das líderes mundiais do mercado de chás apostou num visual mais clean. O novo desenho centralizou o nome da marca, que ficava no canto direito do logotipo. A mudança incluiu a assinatura “Be More Tea”, para incentivar os consumidores a terem hábitos de alimentação mais saudáveis.
Google


Sem aviso, o Google fez uma alteração quase imperceptível em seu logotipo em maio. A alteração moveu a letra “g” interna um pixel para a direita, enquanto a letra “l” deslizou um pixel para baixo e também para a direita. Segundo porta-voz do Google, a mudança ocorreu para certificar que ele apareça nitidamente, independente da resolução de tela.

Cachaça 51


Em abril deste ano, a cachaça 51 passou a ser distribuída numa nova embalagem, com logotipo atualizado. Segundo a empresa, o objetivo é aproveitar o crescimento do mercado de destilados para buscar sofisticação. A campanha de divulgação foi assinada pela Loducca.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Designer chinês cria embalagem retornável para compras on-line

De acordo com especialistas, este ano os consumidores devem gastar cerca de R$ 3,3 trilhões em compras on-line, cinco vezes mais do que uma década atrás. Como o crescimento e a popularização do e-commerce, o número de embalagens utilizadas para transporte também tem sido considerado abusivo e classificados como um método não sustentável.


O chinês Yu-Chang Chou espera ajudar a diminuir esse impacto ambiental, por meio de um novo projeto em que uma caixa possa ser reutilizada até 200 vezes. A sacola Repack tem duas partes: uma camada externa feita de garrafas recicladas e uma almofada interna, que não prejudica a mercadoria.

Uma vez que o pacote com produto chega à casa do consumidor, ele deve ser dobrado –conforme instruções no próprio verso da embalagem– e quando tiver o tamanho reduzido, depositado em caixas de correio para ser devolvido e reutilizado em outras entregas de mercadorias pela loja virtual responsável pela entrega.


Além de tornar a entrega mais eficiente devido ao seu tamanho que pode ser reduzido na hora da devolução, os pacotes reutilizáveis são projetados em três tamanhos básicos –pequeno, médio e grande – afim de transportar roupas, livros e objetos eletrônicos de pequeno portes.

Por enquanto o projeto é apenas um conceito. O chinês desenvolveu a ideia para o programa de pós-graduação da Royal College of Art, tradicional faculdade de artes do Reino Unido.

Inscrições para o iF Design Award 2015 vão até outubro

As inscrições para o iF Design Award 2015, um dos mais conceituados e completos prêmios de design do mundo, estão abertas. Fundado em 1953, o iF abrange as disciplinas de produto, comunicação, embalagem, design de interiores e conceitos profissionais. Diversas criações nacionais já receberam a premiação, destaque para os 25 brasileiros premiados na edição 2014.
Como um dos principais selos de excelência em design do mundo, o iF é o prêmio máximo do setor no mundo. Os projetos premiados são expostos em Hamburgo e aparecem em um aplicativo disponível para download de forma gratuita. Os premiados contam também com o reconhecido selo em seus produtos e os trabalhos inseridos na exposição online do iF, que recebe cerca de 200 mil acessos por mês.
O prazo final para as inscrições é no dia 17 de outubro. O júri acontece de 20 a 22 de janeiro de 2015 em Hamburgo, na Alemanha, e a data da cerimônia de premiação está marcada para 27 de fevereiro, em Munique, no Museu da BMW. Vale ressaltar que teremos pelo menos um brasileiro entre os jurados.
INSCRIÇÕES  

As inscrições podem ser feitas na internet. Os preços variam entre €300 a €450. O projeto deve ser enviado para Hannover, na Alemanha, para avaliação do júri internacional. O Centro Brasil Design é o escritório representativo do iF no Brasil e em caso de dúvidas sobre as inscrições, deve-se entrar em contato com Juliana Buso, pelo telefone 41 3076-7332.

Informações completas sobre o prêmio estão no site do iF Design Award:

Fonte: Design Brasil.

Brasileiros são finalistas de concurso internacional de inovação

Dois estudantes brasileiros estão entre os 35 finalistas do Electrolux Design Lab 2014, concurso de ideias inovadoras para casas do futuro. Os projetos de Guilherme Lopes Pedro, da Unesp, e Haline de Oliveira Pinto, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), foram escolhidos entre mais de 1700 candidatos inscritos.

O Orbir, um purificador de ar inspirado no sistema planetário desenvolvido por Guilherme Lopes Pedro
O tema da edição deste ano é “Criação de Residências Saudáveis sob os pilares Cuidados com o Ar, Prazer em Cozinhar e Cuidados com a Roupa”.

As tendências ditadas pelos jovens designers deste ano apontaram ambientes residenciais mais saudáveis para o futuro, com soluções inteligentes e instigantes.

Guilherme Pedro desenvolveu um purificador de ar inspirado no sistema planetário –o Orbis. Trata-se de um corpo principal que ajusta a temperatura, luz e umidade do ambiente enquanto vários drones menores usam energia magnética para orbitar no ar ao seu redor, filtram o ar, removem poeira e micro-organismos utilizando filtros com nano fissuras de purificação.

 Haline Pinto, 24 anos, criou um produto montado na parede para armazenamento modular de alimentos. O Feasy usa um sistema a vácuo para otimizar o prazo de validade dos alimentos e cada módulo pode ser controlado separadamente para definir temperatura e umidade.

Haline de Oliveira Pinto, da UFRJ , criou o Feasy, um produto montado na parede para armazenamento modular de alimentos
Por meio do de magnetismo, os recipientes são sustentados pela estrutura que calcula e adapta a força para o peso de cada módulo. Além da possibilidade de personalizá-lo para as necessidades de cada consumidor, ele também facilita a alimentação saudável e redução do desperdício.

Próximas etapas

Em agosto, acontecerá uma premiação pública on-line em que o projeto que tiver mais votos dos internautas será o favorito do público e vencedor do “People’s Choice Award” recebendo um prêmio de € 1 mil.
Para a grande final, seis finalistas serão escolhidos pelos especialistas da Electrolux em outubro e seguirão para o evento da premiação que ocorrerá em Paris em novembro. O primeiro lugar receberá € 5 mil e um estágio remunerado de seis meses em um centro global de design da Electrolux; o segundo prêmio será de € 3 mil; e o terceiro prêmio, € 2 mil.

Diagnóstico do Design brasileiro é apresentado em Manaus

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) apresentaram na quinta-feira (24), em Manaus, o “Diagnóstico do Design Brasileiro”. O documento – lançado em meados de junho, em Brasília – tem como objetivo criar uma referência em design para o desenvolvimento da indústria e fornecer subsídios para a elaboração de uma política pública de design, no País. Atualmente, o design é considerado um elo importante entre indústria e mercado por influenciar, diretamente, no desenvolvimento de produtos percebidos como de qualidade e com desempenho superior. 


O gerente de Inovação e Design da Apex-Brasil, Marco Lobo, e a diretora do Centro Brasil Design, Letícia Gaziri, apresentaram detalhes do “Diagnóstico” no auditório da Faculdade Martha Falcão (zona Centro-Sul de Manaus). 

A indústria mundial passa por um nivelamento em termos de tecnologia e o design tem surgido como o grande diferencial dos produtos. No caso da Zona Franca, a ferramenta está intimamente ligada ao domínio do ciclo de produção, buscado pela SUFRAMA. “Quando assumi a superintendência, revelei a intenção de buscar o domínio do ciclo da produção no Polo Industrial de Manaus. Algumas empresas já estão caminhando neste sentido, saindo da simples manufatura para a concepção dos produtos em Manaus. O caso de aplicativos para celular é o mais emblemático no momento”, diz Nogueira. “Acabamos de garantir mais 50 anos de incentivos. Neste cenário, o design é imprescindível para garantir a competitividade do modelo nos anos que virão”, completa.

Diagnóstico

O “Diagnóstico do Design Brasileiro”, realizado pelo Centro Brasil Design, teve por base pesquisas feitas num período de oito meses, com mais de trezentas empresas brasileiras. Foi avaliada a compreensão do design nos setores industriais e de serviços. Também houve uma análise de dados do design no Brasil e das variáveis que impactam no ambiente de negócios. Além disso, especialistas apresentaram os cenários para o futuro do design no país até 2020, com visões conservadoras, moderadas e otimistas. O trabalho também apresenta indicadores, referências internacionais e contribuições de especialistas e formadores de opinião.

O documento foi apresentado para nove setores da indústria brasileira: máquinas e equipamentos; médico-odonto-hospitalar; higiene pessoal, perfumaria e cosméticos; mobiliário; embalagem para alimentos; calçados; têxtil e confecção; cerâmica de revestimento e audiovisual. Nenhuma empresa do Amazonas participou da pesquisa, mas os subsídios presentes no documento têm aplicação direta na economia local.

Fonte: Design Brasil.

Olhe para dentro e sorria

Para comemorar seu aniversário de 15 anos, a Farm – marca carioca famosa pelas estampas coloridas e lúdicas – decidiu compilar 120 de suas estampas mais aclamadas em um livro interativo.


Ao folhear o livro, além de conhecer um pouco da história da marca, o leitor também se depara com detalhes que parecem ganhar vida: barquinhos de papel, borboletas e pedaços de tecido, que tornam dão todo o sentido ao título Olhe Para Dentro e Sorria.

Processo criativo

Desenvolver um objeto-desejo inovador que contasse um pouco da história da Farm. Foi esse o desafio passado para Tatiana Viana, a gerente de design da Farm Rio que resumiu a história da marca em um livro que ganhou um prêmio iF Communication Design Award 2014. “Não queríamos fazer um simples catálogo de estampas, mas sim um livro de sonhos, surpresas e, principalmente emoção”, conta Lorena Simões, que trabalha no marketing da Farm e acompanhou o projeto desde o início.

Foram escolhidas as estampas mais representativas de cada coleção da Farm, sendo a mais antiga de 2006. O maior desafio foi transferir para o papel as estampas que se tornaram a assinatura da marca. Ao contrário do tecido, o papel é plano, estático, sem textura ou movimento – além de exigir uma qualidade alta para impressão. Para driblar os empecilhos, Tatiana conta que foi necessário criar artifícios gráficos. “Teve algumas estampas que precisaram ser todas redesenhadas, florzinha por florzinha. Foi um trabalhão!”, conta.

O livro é organizado em dez partes – ou melhor, cores: branco, amarelo, laranja, vermelho, rosa, azul, verde, marrom, preto e colorido. A decisão de separar os capítulos desta forma, além de trazer harmonia, deu ares de arco-íris ao livro. A costura também foi feita com linhas coloridas. Tatiana explica ainda que houve uma colaboração entre a equipe de design e a de estilo/arte da Farm: “Conversarmos sobre o processo de criação e as várias linguagens que eles usam, a equipe também ajudou muito na busca pelos arquivos e a conseguir alguns desenhos originais feitos pras estampas. O mais importante: eles nos deram carta branca pra usar o material deles”.

Apesar de ser um livro de estampas, há uma narrativa ao se virar as páginas. É que as estampas foram dispostas de forma a contar histórias, e detalhes delas foram trabalhados de forma a criar surpresas interativas ao longo do livro: uma flor presa por uma tacha que se move como um catavento; cartões postais com ilustrações que remetem às estampas e uma cartela de adesivos, por exemplo. As cores e padrões que fizeram história na Farm e nos guarda-roupas de milhares de meninas em todo o Brasil se reencontram em novas e inusitadas combinações: a borboleta que voa de uma estampa para outra, o pescador sentado sobre as nuvens, o camuflado que se transforma em mar sem fim.

Para que o livro se concretizasse como um item de colecionador, a tiragem foi pequena: três mil livros, garantindo um ar de exclusividade ao objeto.
Resultado

Como resultado, a Farm conseguiu atingir não apenas os clientes fiéis, que colecionam peças da marca, mas também todo um novo público de designers, arquitetos, diretores de arte e profissionais criativos. “A maior parte deste novo público já conhecia a marca, mas não se relacionava com ela. O livro cumpriu este papel, pois ele é um objeto de design”, conta Tatiana.
A Farm recebeu o iF Communication Design Award 2014, um dos mais prestigiados e conceituados do mercado internacional, e o iF Gold – troféu entregue para os destaques entre os premiados e que representa a premiação máxima no iF.

Ficha Técnica

Olhe Para Dentro e Sorria

Farm, 2012
Concepção: Kátia Barros
Coordenação editorial: Carlos Mach e Flávia Miranda
Projeto Gráfico: Tati Viana e Dani Cabral
Produção Gráfica: Osvaldo Dominguez
Fonte: Design Brasil.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Vernacular, a releitura sofisticada da cultura popular

Marcas e até cartazes de lojas e supermercados, por exemplo, também estão na lista do estilo espontâneo
Por Simone Candida, Ludmilla Lima e Rodrigo Bertolucci

Inscrições do Profeta Gentileza estampam 56 painéis sob o viaduto da Avenida Brasil
(Fábio Rossi / O Globo)
RIO - Soluções materiais ou visuais presentes no cotidiano que indicam forte ligação com a cultura local. Essa é uma definição acadêmica para o design vernacular. Na prática, para entender o termo, basta olhar à sua volta e admirar desenhos e inscrições em muros da cidade. Marcas e até cartazes de lojas e supermercados, por exemplo, também estão na lista do estilo espontâneo em que, muitas vezes, são confeccionados, sem que o autor se dê conta, de que está fazendo design. Com uma linguagem criativa, ultrapassam fronteiras e traduzem bem o estilo do carioca.
Um bom exemplo são as 56 inscrições feitas por José Datrino, na década de 1980, sob o viaduto da Avenida Brasil, na Zona Portuária. Datrino, mais conhecido como o Profeta Gentileza, tem trabalhos famosos como a frase “Gentileza gera gentileza", que estampam os pilares desde o Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio. As obras que deram ao artista, nascido em Cafelândia, São Paulo, status de personalidade carioca, são aquilo que os profissionais da área definem como design vernacular, assim como a marca do biscoito Globo.
Para o designer e artista plástico Cláudio Gil, que também é calígrafo, trata-se de uma categoria baseada em necessidades locais, que espelham a cultura regional, como suas tradições.
— Na essência, ele não se difere em nada do conceito do design, uma atividade projetual baseada em necessidades específicas. Entretanto, vejo essa nomenclatura associada aos tipos de elementos contidos nos projetos e principalmente pela maneira como são executados, em grande parte, manualmente — destaca o professor do curso de Design da ESPM-Rio e mestrando na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi / Uerj).
Gil acredita que a maior influência vem da tentativa de resgate daquilo que é feito com esmero, de maneira apaixonada e única:
 — São placas, cartazes de supermercados, faixas de rua, decoração de botequins, projetos de sinalização e ambientação, entre outras possibilidades da comunicação visual. Tudo isso se encaixa no estilo.
Exemplos dessa influência estão presentes no design de qualquer cultura, segundo Gil. Na Alemanha, o gótico é uma realidade, faz parte da cultura daquele país. No Brasil, existem tipografias digitais baseadas nas letras desenhadas à mão livre pelos pintores, em cartazes de supermercado e letreiros de rua.
— Um fato curioso, um contrassenso nessa história, é que esses profissionais são praticamente invisíveis, produzindo um serviço visto como menor, enquanto em algumas culturas o fato de algo ser artesanal ganha status de algo com um grande valor — ressalta o profissional, acrescentando que, em Recife, a designer Fátima Finizola desenvolve, há algum tempo, pesquisas relacionadas aos profissionais chamados abridores de letras (desenhistas de letras e cartazes locais) de Pernambuco. Em Belém, a designer Fernanda Martins iniciou um projeto que fará o levantamento dos abridores de letras dos barcos da região.
A comunicação estabelecida com a população através de cartazes de supermercados dá a ideia do frescor da notícia, neste caso a oferta do dia. Ela é imediata, efêmera, porém contínua, cotidiana. Essa relação diária com o público mantém viva a tradição não somente das peças feitas a mão, mas a do profissional conhecido como letrista ou cartazista.
— A importância, sem dúvida, está na carga cultural local que se fortalece, pois ele ajuda a manter viva a memória e a tradição locais — diz Gil.
A professora da Escola de Design da Universidade Veiga de Almeida Danielle Spada destaca que o design vernacular contribui para a construção cultural e estética da sociedade.
— Começa com um indivíduo que tem uma epifania, e alcança uma lacuna que estava à espera de ser completada em outros indivíduos. Assim a sociedade se apropria daquela iluminação criativa para se expressar, comunicar ou ainda gerar recursos para subsistência. Constrói a cultura — comenta Danielle, que é mestre em psicanálise, saúde e sociedade e estudou a criatividade e o processo criativo do estudante de design. — O design vernacular se apresenta em textos, expressões, iconografias, processos e objetos.
SAARA, CELEIRO FÉRTIL PARA AFLORAR O ESTILO
O Saara é um celeiro fértil de design vernacular em adaptação de moda, processos e produtos. As inscrições da escadaria da Lapa, feitas pelo pintor e ceramista Jorge Selarón, autor de obras que também decoram o bairro de Santa Teresa também são exemplos de design vernacular.

Biscoito Globo, a marca carioca (Camila Maia)
— O homem tem necessidade de expressão desde a pré-história, quando pintava nas cavernas. O que não mudou nos dias de hoje. Tal necessidade faz com que criemos formas de expressões pessoais. Podemos ver isso nos grafites espalhados pela cidade e que acabou ganhando os museus e, ainda reverberando no V.M de lojas e projetos de interiores — enfatiza a professora Dani Spada, da Escola de Design da UVA.
Para ela, o design vernacular pode ser ainda soluções de processos ou objetos para o dia a dia. Carrinhos de propaganda em latas de lixo personalizadas, é um exemplo de processo criativo e design vernacular que hoje é replicado.
— O design vernacular se apresenta em textos, expressões, iconografias, processos e objetos. É comum vermos expressões de uma música ganhar as vitrines de uma loja, ou ainda um personagem influenciar na moda — diz a especialista, que é mestre em psicanálise, saúde e sociedade e onde estudou a criatividade e o processo criativo do estudante de design.
— Design vernacular é a expressão de design do homem comum envolvido em seu meio social, que alimenta a cultura popular. É a expressão pura do eu que vai de encontro a seus pares que estão no ‘nós’ (sociedade).

O retorno do vampiro americano

O Vampiro Americano está de volta. Depois de um hiato de um ano, a premiada HQ do selo Vertigo (DC Comics), que ganhou, em 2011, o Eisner Award de melhor nova série, regressou às lojas dos EUA para o segundo arco de aventuras, intitulado “Second Cycle”. No primeiro arco, que durou 34 edições e contou com o escritor Stephen King na fase inicial, conhecemos a origem do primeiro sanguessuga dos EUA, o bandido de faroeste Skinner Sweet, e de sua cria, a aspirante a atriz de cinema mudo — e logo transformada em vampira — Pearl Jones. Agora, a dupla responsável pela HQ, o roteirista americano Scott Snyder e o ilustrador brasileiro Rafael Albuquerque, leva seus personagens aos anos 1960.

Página da nova série de "American Vampire", "Second Cycle"

Enquanto isso, no Brasil, a série, que era publicada na recém-cancelada revista “Vertigo”, da Panini, acaba de voltar às bancas, pela mesma editora, em uma antologia que pode ser lida até por quem não conhece a HQ. Com nove histórias, o gibi traz uma constelação de autores que inclui o hypado canadense Jeff Lemire e até os gêmeos brazucas Fábio Moon e Gabriel Bá.


— Para escolher os autores, chamamos os quadrinistas de que mais gostávamos e que fariam sentido no universo de “Vampiro Americano” — conta o gaúcho Rafael Albuquerque, por email. — Tivemos muita sorte de tanta gente legal ter topado.

O time de colaboradores conta com outros craques, como Jason Aaron, Becky Cloonan e Greg Rucka, além do próprio Albuquerque, que desenha uma história de seu parceiro habitual, Snyder. Dividida em duas partes, “The man comes around” — assim mesmo, em inglês — abre e fecha a edição. Mas é outra história em quadrinhos, intitulada “Kansas sangrento”, que chama mais a atenção, não só por ser escrita por Albuquerque, em sua estreia como roteirista, mas também por ter sido ilustrada por Ivo Milazzo, um dos mestres do fumetti, a HQ italiana. Foi ele quem criou, com Giancarlo Berardi, o clássico personagem do quadrinho de faroeste Ken Parker.

— Nunca escondi que Ivo é meu artista favorito, uma grande inspiração. É uma história importante, pois conta o que acontece na fazenda da família da Pearl, que terá um papel importante no arco que estamos fazendo agora. E ter a minha estreia como roteirista ao lado de um dos melhores quadrinistas do mundo foi incrível — elogia Albuquerque.

Página da HQ "Kansas sangrento", escrita por Albuquerque e ilustrada por Milazzo

Mas nem só de vampiros americanos vive o gaúcho, que ganhou fama desenhando o herói Besouro Azul, da DC Comics, e, recentemente, trabalhou na elogiada fase do Homem-Animal do roteirista Jeff Lemire. No cenário independente, Albuquerque brilhou com os amigos Eduardo Medeiros e Mateus Santolouco na série “Mondo urbano” e, solo, experimentou a ficção científica em “Tune 8”, que nasceu na internet e conta a história de um piloto interplanetário que se perde em um mundo hostil após uma viagem no tempo. A HQ sairá, repaginada, nos EUA, em fevereiro, pela editora Dark Horse e com o título “Ei8ht”.

— Na verdade, será em um formato diferente do que saiu no Brasil. É um novo roteiro, baseado no que foi feito aqui, mas com mudanças importantes. Será publicada em cinco partes — diz o ilustrador (foto à esquerda), sem esconder que a série de vampiros toma bastante de seu tempo. — Ando ocupado com “American Vampire” e com uma nova minissérie, que será revelada em San Diego (na Comic Con) nas próximas semanas. Mas pretendo publicar o segundo volume de meu sketchbook, “Garage days”, em outubro, além de lançar publicações de outros autores através do “Stout Club” (misto de selo e clube em parceria com a fotógrafa Deb Dorneles e o designer Rafael Scavone), que serão anunciadas em breve. Muitas coisas no horizonte.

Uma delas, já confirmada, é a presença de Albuquerque na versão brasileira da convenção californiana, chamada de Comic Con Experience, capitaneada pelo site Omelete em parceria com a agência Chiaroscuro Studios. O evento, de 4 a 7 de dezembro, em São Paulo, terá, além dele, figuras ilustres, como Snyder; os ilustradores Sean Murphy e Klaus Janson; e o guitarrista Kirk Hammett, do Metallica.