sexta-feira, 30 de maio de 2014

Amador Perez apresenta exposição comemorativa de 40 anos


A exposição "Amador Perez - 40 Anos - Quantos Quadros" começa a partir da próxima sexta-feira (30), no Centro Cultural Cândido Mendes Ipanema - Galeria de Arte Maria de Lourdes Mendes de Almeida.

A exposição comemora a significativa trajetória de 40 anos do artista carioca Amador Perez na arte contemporânea brasileira. Apresentando 20 obras inéditas iniciadas em 2006 e finalizadas em 2013, geradas a partir de uma única imagem, um desenho a grafite realizado pelo autor em 1981, Amador Perez propõe uma reflexão sobre a materialidade e singularidade da obra de arte e sua reprodução, e a imaterialidade e multiplicidade da imagem. O artista utiliza técnicas manuais e digitais em uma fusão de linguagens, criando um jogo interativo entre a sua concepção da imagem da obra original e a fantasia do espectador.

'Como numa das mais fecundas vertentes da arte contemporânea, todos os materiais são ativos', comenta crítico
 
Paulo Sérgio Duarte, crítico e professor de história da arte escreveu um texto sobre o artista "Um desenho de Amador baseado em uma foto de Hopper, onde um homem olha por uma janela. A foto vai ser objeto de uma extensa e intensa investigação poética em Quantos Quadros. Que Amador seja um dos maiores virtuoses do desenho contemporâneo ninguém duvida, mas quem for fruir essa exposição, como qualquer outra do artista, não deve se deixar cegar pela competência técnica".

Ainda sobre seu estilo, o crítico comenta "Como numa das mais fecundas vertentes da arte contemporânea, todos os materiais são ativos, estruturantes e participantes pelas suas qualidades intrínsecas na constituição da obra. Diria mesmo que, nas variações Quantos Quadros, o branco do papel é o único elemento invariante de toda a estrutura da obra. Portanto, é muito apressado rebaixá-lo à condição de suporte que implica em desaparecer sob a ação do artista. É possível que, sob esse prisma, possamos reler toda a obra de Amador Perez, e de muitos grandes desenhistas que atuaram sobre o branco, e aqui, me vem imediatamente à lembrança os formidáveis desenhos de Mira Schendel", completa. 

A exposição ficará em cartaz até o dia 9 de agosto de 2014. O Centro Cultural Cândido Mendes Ipanema funciona de segunda a sexta, de 14h às 20h e aos sábados, das 16h às 20h. O endereço é Rua Joana Angélica, 63 - Ipanema.

Fonte: Jornal do Brasil - Cultura.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Imagem do dia: corpo humano é a inspiração

O assento da cadeira vai sendo montado um por um (Reprodução da internet)

RIO — Inspirada no corpo humano, esta cadeira foi criada com um suporte que imita a estrutura óssea humana e com o assento dividido em pequenos pufes, os quais remetem ao formato das células. Não por acaso, o nome dela é Bone Chair, que significa cadeira osso.

A ideia, concebida pelo escritório suiço de arquitetura e design JDF Raum und Kunst, foi de desenvolver um projeto que combinasse flexibilidade, ergonomia e estabilidade, além, é claro, de ser divertida. O suporte pode ser de madeira ou metal, e os pequenos pufes que formam o assento, de vários materiais ou cores.

Imagem do dia: berço para adultos

Designers criam balanço com formato aconchegante e acolhedor

Design aconchegante para poltrona (Reprodução da internet)
 
RIO — Já diz a música de Djavan: “um dia frio, um bom lugar para ler um livro”. Neste dia mais frequinho, que tal, literalmente, se aninhar num balanço bem aconchegante? A Chair Cradle, que significa “berço cadeira”, é como o próprio nome já diz, uma poltrona cuja proposta é acolher — mas, ao invés de bebês, adultos. O balanço é produzido a partir de matérias-primas reutilizáveis.

Desenvolvido pela equipe do designer Richard Clarkson, o projeto foi direcionado para autistas e pessoas com transtorno de movimento rítmico (RMD). O objetivo, segundo ele, foi criar um espaço seguro e confortável, que estimulasse os sentidos.

“Tivemos um forte foco em criar uma solução para quem sofre de RMD, mas a cadeira não é exclusivamente para eles e vai trazer relaxamento, conforto e tranqüilidade para quem a usa”, afirma em seu site.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Telas dobráveis, internet ultraveloz, supercamisinhas e algumas outras maravilhas possíveis com grafeno

Material com espessura de um átomo de carbono e muito flexível vem sendo considerado essencial para o futuro da tecnologia


Projeto Nokia Morph, baseado em grafeno / Foto Reprodução
 
RIO - O futuro da tecnologia está sendo escrito a lápis. Descoberto a partir do grafite, o grafeno, material de flexibilidade, leveza e condutividade extremas tem o potencial de dar à luz aparelhos eletrônicos, baterias e outras soluções high tech que só existem hoje nos sonhos dos consumidores.
Com espessura de um único átomo de carbono, equivalente à milionésima parte de um fio de cabelo, não há nada mais fino que o grafeno. Se o grafite fosse um livro, ele seria uma folha. Mas essa finura se mostra inversamente proporcional a seu poder de fogo: é 300 vezes mais duro que o aço e chega a ser mais resistente que o diamante. Tem ainda a maior condutividade já registrada em temperatura ambiente, e os elétrons passam através dele até 200 vezes mais rápido do que pelo silício dos chips de computador.

Flexível, o material pode ser usado na criação de smartphones, tablets e até televisores que dobraremos e guardaremos no bolso. Por ser finíssimo, também é transparente, abrindo espaço para o desenvolvimento de telas maleáveis sensíveis ao toque, com a vantagem de serem resistentes à água.

O grafeno pesa quase nada, sendo possível cobrir a área de um campo de futebol com apenas um grama do material. Por causa disso, ele poderia ser integrado a outras superfícies sem prejuízo de sua portabilidade, transformando qualquer objeto em um equipamento eletrônico. Isso permitiria um salto na concepção dos chamados eletrônicos vestíveis, abrangendo de roupas conectadas a lentes de contato com visão noturna.

Os mais ambiciosos veem o grafeno penetrando mais fundo, graças às dimensões nanométricas e à capacidade de adaptação do material: sensores de grafeno que se comunicam com tecidos humanos, por exemplo. Já a Fundação Bill e Melinda Gates doou US$ 100 mil à Universidade de Manchester para o desenvolvimento de uma camisinha de grafeno que manteria intacto o prazer sexual e seria à prova de estouro.

Uma rede mais rápida

Com tantas qualidades, imaginou-se logo que o grafeno seria, enfim, um substituto à altura para o silício nos chips de computador. O material que dá nome à região onde nasceram empresas como Apple e Intel se aproxima do seu limite como matéria-prima de processadores, uma vez que seus transistores já são quase do menor tamanho permitido pela física. Mas não é bem assim.

— A ideia não é substituir o silício. Isso até pode acontecer daqui a 30 anos, mas o que queremos hoje é usar o grafeno onde o silício não atua bem, como em superfícies flexíveis, transparentes e integradas ao corpo, em baterias e supercapacitores — disse Andrea Ferrari, diretor do Centro do Grafeno da Universidade de Cambridge.

Claudius Feger, diretor da divisão de Dispositivos Inteligentes da IBM no Brasil, admite que o silício sempre baterá o grafeno em uma das tarefas básicas dentro dos chips. A verdade é que o grafeno é tão condutivo que, uma vez que os elétrons começam a passar através dele, é muito difícil pará-los. Só que a interrupção controlada da corrente é justamente o que torna possível armazenar os dados expressos pelos dígitos “1” e “0” em chips. Por isso o especialista prevê que o grafeno exercerá papel mais importante por sua capacidade óptica, via fotodetectores e receptores de radiofrequência que tornariam mais rápida a transmissão de dados nos equipamentos de silício.

— O grafeno poderia melhorar o desempenho dos equipamentos feitos de sílica, que é a base da fibra óptica. Assim, o acesso dos aparelhos à internet poderia ser mais veloz, por exemplo — observa o físico Fernando Lázaro, da PUC-Rio.

Mas nada disso existirá se não surgir um método eficiente para produção de grafeno em larga escala, e é sobre isso que se debruçam cientistas de todo o mundo agora. O método tradicional de obtenção do grafeno é conhecido como esfoliação mecânica. É útil às pesquisas, mas não atende às necessidades industriais, pois proporciona folhas de grafeno com apenas alguns milímetros.

— Para obter placas com um metro quadrado, por exemplo, a alternativa é a chamada deposição química, em que se espalha um vapor de metano sobre cobre ou níquel. Depois se mergulha isso em uma solução que corrói o metal, e o que sobra é grafeno. Mas esse processo tem o revés de “sujar” o material, reduzindo algumas de suas propriedades — diz o físico Eunézio Antônio de Souza, responsável na Universidade Presbiteriana Mackenzie pelo MackGrafe, primeiro centro de pesquisas dedicado ao grafeno no Brasil.

Reduzir as falhas da deposição química é justamente um dos objetivos hoje daGraphene Flagship, a maior iniciativa de pesquisa sobre grafeno no mundo. O consórcio foi estabelecido pela União Europeia (UE), envolve 17 países e tem orçamento de € 1 bilhão. Gigantes da tecnologia como a Samsung também vêm se debruçando sobre o problema.

Fonte: Jornal O Globo.

Conheça um brinco artesanal feito de lápis de cor

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Brincos podem ser feitos dos mais variados materiais. Desde bijuterias, prata até ouro e ouro branco. Mas, uma loja online americana, especializada em trabalho de artes e materiais artesanais ou vintage disponibilizou em sua página um brinco feito de lápis de cor.


 Os lápis são feitos de resina sintética reciclada e com madeira de reflorestamento e medem cerca de 6 centímetros, o suficiente para serem utilizados como brinco. 

Disponíveis nos mais variados tons de azul, verde, rosa, amarelo e laranja os brincos custam R$21, sem frete incluso, e estão disponíveis para a venda no site da Etsy.

Aroha Jewelz 

O lápis-brinco faz parte de uma loja neo zelandesa, a Aroha Jewelz. A responsável pelos produtos é a maori Jasmin Harthausen, designer e artesã.

Todas as peças são feitas de materiais recicláveis e à mão pela artista e podem ser encontradas no site da Aroha Jewelz.

Fonte: Catraca Livre - Estilo.

Em entrevista, Jonathan Ive critica design dos produtos atuais no mercado

Jonathan Ive é não apenas um dos funcionários mais famosos da Apple, como também um dos designers mais famosos da atualidade. Por isso, não deve ser surpresa que a entrevista com ele feita pelo The Sunday Times chamasse bastante atenção. 

(Fonte da imagem: Reprodução/The Sunday Times)

Nela, Ive comentou sobre o que acha do estado do design atualmente – e, pelo visto, ele não está nada satisfeito. “Nós estamos cercados por objetos anônimos e malfeitos. É tentador pensar que é porque as pessoas que o usam não ligam – assim como as pessoas que os fazem. Mas o que nós mostramos é que as pessoas ligam. Não é só sobre estética. Elas ligam para as coisas cuidadosamente concebidas e bem feitas”, começou.

Sobre cópias e inovação 
 
Como prova disso, ele usa como exemplo os produtos feitos pela Apple: “Nosso sucesso é uma vitória pela pureza, integridade – por dar a mínima”. É claro que, com isso, não são poucas as empresas que tentam copiar o design de seus aparelhos.

“Isso é roubo… O que foi copiado não é apenas um design, são milhares e milhares de horas de luta. É apenas quando você alcançou o que você determinou fazer que você pode dizer ‘Valeu a pena perseguir isso.’ Levam anos de investimento, anos de dor”, disse ele sobre as constantes cópias de produtos feitos pela Apple.

Do ponto de vista de muitas pessoas, no entanto, a Maçã é uma empresa que vem mostrando grandes dificuldades em inovar, com iPhones e iPads praticamente iguais aos seus antecessores, esteticamente falando. Quando questionado sobre isso, Ive discordou completamente – embora ainda mantendo sigilo do que pode estar por vir por parte da companhia.

“Nós estamos no início de um tempo notável, quando um número grande de produtos será desenvolvido. Quando você pensa sobre a tecnologia e no que ela nos permitiu fazer até aqui, e no que ela vai nos permitir fazer no futuro, nós não estamos nem perto de qualquer tipo de limite. É ainda tão, tão nova.”

A vida trabalhando com Steve Jobs

Por ser o principal designer da Apple, Jonathan Ive passou muito tempo em contato constante com Steve Jobs — o que, por sua vez, trouxe a ele algumas histórias interessantes. Nem todas boas, é claro.

Durante a entrevista, Ive relatou como era a experiência de fazer uma viagem com ele. “Nós chegávamos a um hotel onde nos estávamos indo,” começou, “nós fazíamos o check-in e eu subia até meu quarto. Eu deixava minhas malas perto da porta. Eu não desempacotava minhas coisas. Eu ia até a cama e sentava nela e esperava a ligação inevitável do Steve: ‘Ei, Jony, este hotel fede. Vamos.’”

Nova marca dos Correios gera polêmica

Nova identidade visual foi apresentada no início do mês e gerou denúncias de ser cópia do logo de uma empresa atacadista do Espírito Santo

Fábio Fabrini, do
 
 Campanha divulga nova marca dos Correios: companhia gastou R$ 390 mil para criar uma nova logomarca

Logo da Polimix Distribuidora, criado pela Life Brand: custo do design foi de R$ 8 mil

Brasília - Os Correios gastaram R$ 390 mil para criar uma nova logomarca, como parte de um projeto de "revitalização". A estampa em azul e amarelo, a ser aplicada em envelopes, letreiros e veículos em todo o Brasil, é semelhante a desenho lançado, meses antes, por uma empresa do Espírito Santo, o que inspirou a polêmica nas redes sociais: afinal, é cópia ou não?

A nova identidade visual dos Correios foi apresentada no início do mês e registrada no fim de janeiro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Trata-se de duas setas associadas, uma amarela e outra azul, cada uma indicando um sentido, o que evoca o incansável vaivém dos funcionários que distribuem encomendas País afora.

Nas palavras da estatal, algo que simboliza sua "poderosa capacidade de conectar pessoas." O projeto completo, incluindo divulgação e troca de letreiros, custará R$ 42 milhões.

Em agosto do ano passado, a Polimix Distribuidora - empresa do ramo atacadista com sede em Serra (ES) e aberta em 2012 - lançou sua logo: setas bem parecidas, que podem ser brancas ou azuis, com os cantos menos arredondados.

O desenho foi feito pela empresa capixaba Life Brand, a custo bem mais módico: R$ 8 mil. "É um projeto mediano, em termos de complexidade e valor", avalia o sócio e diretor de criação da empresa, Igor Franzotti.

Bastou os Correios mostrarem sua nova "cara" num evento em Brasília para a semelhança virar assunto na internet e entre especialistas em design.

A Life Brand trata o caso como uma coincidência e diz que não há motivo para questionamentos sobre plágio na Justiça. "A gente não vai recorrer legalmente a um direito sobre isso.

Por ser uma marca gráfica muito genérica - duas setas -, acho difícil afirmar que foi uma cópia. Não acredito que foi intencional", justifica Franzotti.

Ele diz que, no mercado de comunicação, é possível encontrar outros trabalhos parecidos. Mas acha que faltou "método" por parte da estatal.

"(A gente) Lamenta, porque uma marca como os Correios, que tem uma relevância de expressão nacional, poderia ter tido um pouco mais de cuidado para que isso não acontecesse", afirma, acrescentando que o logo poderia ter sido "mais bem elaborado".

Os Correios alegam que o conceito de sua nova marca é o mesmo da anterior, que existe desde 1970 e foi simplificada. Segundo a estatal, as setas já estavam no desenho mais antigo, como elemento central.

Para desenvolver a nova identidade visual, foi contratada a CDA Branding & Design.

Segundo a estatal, pelos R$ 390 mil, a empresa definiu a "estratégia e a arquitetura de marcas", além de fazer workshops com o público interno para disseminar as mudanças.

Mas os gastos vão muito além. A campanha de divulgação vai consumir R$ 30 milhões e a troca dos letreiros das agências, R$ 9,9 milhões. Mais R$ 1,7 milhão vão para a substituição nos veículos da empresas.

Os Correios informam que a nova marca é "parte indissociável" do seu processo de revitalização, iniciado em 2011, quando a empresa foi autorizada por lei a prestar serviços postais eletrônicos, financeiros e de logística integrada, além de ser dotada de "ferramentas mais modernas de gestão corporativa".

A reportagem não localizou representantes da Polimix.

Fonte:  Revista Exame - Marketing.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Embalagens da Piraquê causam polêmica nas redes sociais

Alterações ao design criado pela artista plástica Lygia Pape, nos anos 60, foram feitas ao final de 2008, mas um post do ano seguinte está reacendendo a polêmica na internet 

Gabriela Murno
gmurno@brasileconomico.com.br

O que cai na rede é eterno. As embalagens dos biscoitos da marca Piraquê estão novamente na boca do povo e têm sido muito comentadas nas redes sociais, nos últimos dias. Apesar das mudanças terem sido feitas no final de 2008, um post do ano seguinte tem sido compartilhado e causado muita discussão.

Os comentários são os mais variados. Algumas pessoas apoiam as modificações feitas há mais de cinco anos, mas há quem considere que as mudanças destruíram do trabalho da famosa artista plástica Lygia Pape.

A marca se defende dizendo que a mudança não foi radical e que o objetivo era harmonizar todas suas linhas de produtos. “O post reapareceu agora, não sei bem por que. Nós tínhamos linhas com lançamentos em épocas diferentes, ou seja, as logos, por exemplo, ficavam em diferentes locais, dependendo da embalagem. Aproveitamos um momento de atualização da logo e criamos uma identidade visual entre as linhas. Na gôndola, agora dá para observar que elas (as linhas) falam entre si”, explica o diretor de marketing da Piraquê, Alexandre Colombo. “Houve modernização das embalagens, mas sem perder a arte da Lygia Pape”, completa. 

 
“Houve modernização das embalagens, mas sem perder a arte da Lygia Pape”, diz diretor de marketing da Piraquê / Foto:  Divulgação
 
O objetivo agora é tirar proveito da exposição dada aos produtos e trazer o consumidor para mais perto da marca por meio da sua página no Facebook. “Vamos aproveitar para mostrar ao consumidor o antes e o depois, destacando, principalmente, que não houve grandes mudanças”, diz o executivo.

Ainda segundo ele, o segmento investe pouco em comunicação de massa, priorizando campanhas nos pontos de venda com brindes, descontos, degustação e displays. Não ter havido uma forte campanha de comunicação pode ter sido, segundo o sócio-diretor da DIA Comunicação, Gilberto Strunck, uma das brechas que fez com que as mudanças voltassem a ser comentadas anos depois.

“Hoje em dia, as lojas de autosserviço ficam com a maior parte das vendas. Se uma pessoa está acostumada com um produto e sua embalagem muda radicalmente, sem haver uma forte campanha publicitária por trás, o produto pode não ser reconhecido”, ressalta. “O tempo entre passar com o carrinho, estender a mão e comprar um produto que você conhece, varia de dois segundos a cinco segundos. Na prática, você não lê a embalagem, a vê com sua visão periférica e coloca no carrinho”, completa ele.

Professor de branding do Ibmec-RJ, Alexandre Salomon concorda e diz que apesar de parecer sutil, as mudanças causaram grande impacto. “Alguns produtos podem ser confundidos. A pessoa espera uma coisa e não encontra, acaba comprando a que mais se parece. A embalagem é quase sempre um diferencial”.

Colombo destaca, no entanto, que desde que as mudanças foram feitas, a Piraquê cresceu a dois dígitos todos os anos, tendo praticamente dobrado de tamanho. “A grande maioria das pessoas nem percebeu que mudou. A Piraquê tem quase 65 anos, mas não pode parecer uma velhinha. Lógico que prestamos atenção a alguns detalhes, não podíamos mudar, por exemplo, o vermelho dos nossos biscoitos de maisena. A empresa não pode parar no tempo, a gente rejuvenesceu o logo uma vez, concorrentes nossos já mudaram umas dez vezes. Quantos logos a Coca-Cola já teve, por exemplo?”, diz. Além disso, ainda segundo Colombo, as mudanças foram feitas de forma gradual.

A Piraquê faturou R$ 615 milhões em 2012. O balanço de 2013 ainda não está concluído, mas a expectativa é fechar o ano com faturamento em torno de R$ 750 milhões, alta de cerca de 20%, em relação ao ano anterior. Para 2014, as projeções são menos promissoras, com um aumento de 10% no faturamento e de 5% em volume de vendas. A empresa produz nove mil toneladas de produtos, em sua fábrica em Madureira, Zona Norte do Rio. 

“Esse ano está complicado. No primeiro semestre, tivermos uma grande quantidade de feriados, e na Copa teremos mais. O consumo está retraído”, pondera Colombo. A segunda planta, em Queimados, tem inauguração prevista para meados de 2015. Atualmente, a empresa trabalha com todas as linhas completas em três turnos. “Não temos como crescer. A nova fábrica vai aumentar a nossa capacidade de produção”, acrescenta ele.

No caso da Piraquê, segundo o executivo da empresa, não houve rejeição aos produtos da marca. Caso bem diferente do enfrentado pelo Nescau, da Nestlé, na década de 1980, lembra Strunck. O achocolatado mudou sua embalagem, trocando a tradicional lata cilíndrica, por uma retorcida. Além disso, acrescentou o 2.0 ao seu “nome”. Depois da reclamação dos consumidores, a marca optou por manter a venda dos dois formatos de latinhas.

“Um outro caso icônico foi da Coca-Cola, que fez testes cegos que comprovavam que as pessoas preferiam o gosto da Pepsi e mudou a sua fórmula para lançar a New Coke. A empresa recebeu uma enxurrada de reclamações e teve que descontinuar a novidade”, relembra o sócio-diretor da DIA. Mais recentemente, a marca GAP teve que voltar atrás na mudança feita em seu logotipo.

Lygia Pape: a criadora da identidade visual

Artista plástica, Lygia Pape era da mesma geração artística e tinha a mesma filiação estética que Lygia Clark e Helio Oiticica. Lygia pertenceu, como eles, ao Grupo Frente, núcleo do Concretismo no Rio de Janeiro. Ao longo dos anos 50, os artistas do grupo amadureceram as divergências com os concretistas de São Paulo, até chegarem à dissidência Neoconcreta, formalizada em manifesto e em uma exposição, em 1959.

Mas é nas prateleiras dos supermercados que podem ser vistos um de seus trabalhos mais conhecidos pelo público brasileiro. A artista criou, no início dos anos 60, toda identidade dos produtos da marca Piraquê. Além das estampas impressas nas embalagens, que têm como característica a repetição de elementos gráficos, permitindo a personalização e adaptação aos mais diversos produtos, Lygia projetou um tipo de embalagem cilíndrica, tecnologia que, desde então, ganhou não só o Brasil, como todo o mundo.

Além das embalagens, Lygia também fez cartazes, montagem, roteiros e direção para o cinema. Uma de suas obras mais instigantes é o livro ‘Noite e Dia’, um conjunto de 365 peças de madeira diferentes umas das outras, em tons que vão do branco ao cinza.

Enquanto reinava anonimamente nas gôndolas, seu trabalho percorreu os museus de todo o mundo. Um dos momentos de maior destaque foi a exposição da artista no Museu Reina Sofía, em Madrid, na Espanha, um dos museus mais importantes da Europa. Na mostra realizada em outubro de 2011, puderam ser vistas 250 obras da artista, que havia morrido sete anos antes, em 2004.

Fonte: Brasil Econômico - Negócios.

Instituto Europeu de Design é aberto ao público em construção histórica reformada

Com cursos desde 2013, espaço inaugura mostra de design no prédio que abrigou o Hotel Balneário, o Cassino da Urca e a TV Tupi

Suzana Velasco (Email)

O salão central do IED fica entre a arcada que foi a frente de hotel nos anos 1920 e a fachada instalada pelo Cassino da Urca em 1933 (Ana Branco)

A arcada no salão central do Instituto Europeu de Design (IED) já foi a fachada do Hotel Balneário da Urca, nos anos 1920. Na década seguinte, ficou oculta no interior do edifício, que ganhou nova frente, em estilo art déco, eternizando a histórica imagem do Cassino da Urca. E foi esquecida desde que, há 60 anos, o local se transformou na sede da TV Tupi, que cimentou as janelas, fechando a vista dos estúdios de gravação ao cartão-postal da Baía de Guanabara.

Em 2006, quando entrou no misto de escombros, mofo e poças de água da construção fechada desde 1980, o arquiteto gaúcho Ado Azevedo descobriu a arcada escondida por trás de outras paredes. E fez dela o eixo de seu projeto para a sede carioca do instituto italiano, que enfim será aberto ao público nesta terça-feira, depois de anos de ações judiciais e disputas com a associação de moradores do bairro. O instituto já oferece aulas de pós-graduação desde 2013, mas só agora começa suas atividades culturais, com uma mostra de mais de cem peças de design da Fundação Sartirana Arte.

O IED investiu R$ 10 milhões no prédio de frente para o mar, que tem oito metros de pé-direito e dois mil metros quadrados — o edifício de trás, que ainda será restaurado, ocupa mais três mil metros quadrados. Para abrigar as salas de aula, a área foi dividida por paredes de gesso, que podem ser retiradas, e uma escada foi inserida para levar o público ao mezanino — de onde se veem as áreas de convivência — e ao terraço, que terá um café. 

A arcada e a fachada delimitavam um dos salões de jogos do Cassino da Urca, dos quais quase não há fotografias. Sob o teto, o arquiteto deixou aparente uma faixa de tijolos e concreto, como lembrança da irregular estrutura original.

— As paredes não têm ângulo reto, as pessoas olhavam os desenhos e iam construindo — diz Ado.

Ele também manteve a escada para o subsolo, que desemboca num piso com marcas de pegadas em mármore: é a memória do caminho que, entre 1922 e 1933, levava diretamente à areia da praia os hóspedes do hotel de 30 e poucos quartos, construído em contrapartida à urbanização da Urca pela prefeitura. Fechada pelo cassino, com janelas art déco, a área está em restauro para receber laboratórios e salas de leitura.

— Ali se fazia a contabilidade do cassino. Durante as obras encontramos um cofre no subsolo, completamente podre, com moedas da época — conta o arquiteto. — O grande volume de jogo era no prédio virado para a praia. O jogo da elite ficava na parte de trás, acima do teatro, onde ia gente como Getúlio Vargas.

Neste ano começa a reforma do prédio de trás, com investimento de R$ 15 milhões. Ali funcionou o Grill da Urca, frequentado por figurões da política e da cultura da então capital do Brasil, sobretudo o teatro onde se apresentaram Carmen Miranda, Virginia Lane, Herivelto Martins, Dalva de Oliveira, Grande Otelo, Marlene e Emilinha Borba. A época áurea durou até 1946, com a proibição dos jogos de azar no país. A TV Tupi ocupou o local de 1953 a 1980, quando sua concessão foi cassada pelo governo federal. 

Apesar do abandono, a estrutura dos fundos está, segundo o arquiteto, em estado menos deteriorado. Nos escombros foram encontradas garrafas e até armas, e a ideia é que, quando a restauração estiver pronta, essa história possa ser contada ao público. 

— O importante é o diálogo entre uma estrutura arrojada e o edifício antigo, cuja história foi emblemática na cultura brasileira — afirma Ado.

Por enquanto, apenas a parte voltada para a Baía de Guanabara é usada pelo IED, que é a segunda filial na América Latina, depois de São Paulo, e há sete meses oferece mestrado em design de interiores e cinco cursos de extensão, para cem alunos.

Com projeto de interior da italiana Francesca Picciau, o instituto tem as salas de aula pintadas em tons escuros de vinho, verde e azul. Nos preparativos para a abertura de terça-feira, diferentes caligrafias eram testadas para serem impressas nas salas, já que cada uma será batizada com o nome de um designer: os brasileiros Aloisio Magalhães, J. Carlos e André Stolarski e os italianos Ettore Sottsass, Vico Magistretti e os irmãos Castiglioni. Nas paredes há diferentes tipos de madeira brasileira, onde os alunos podem fixar papéis, e cada porta recebeu um detalhe de tecidos venezianos.

— Esses tecidos remetem à ideia de um cassino antigo, mas são também uma expressão do trabalho artesanal italiano — diz o alemão Ralf Uwe Vollmer, que é sócio de Francesca no escritório de arquitetura Aranxiu, em Cagliari, na Itália, e esteve no Rio na última semana para o acabamento do interior. 

Em todos os ambientes, a preocupação central de Ado foi a luz natural. Impactado pela escuridão do edifício, cujas aberturas estavam todas tampadas — já que os estúdios de TV necessitavam de isolamento —, o arquiteto projetou janelas que permitem a circulação de ar e têm venezianas que podem ser fechadas ou abertas à vista do mar:

— Foi muito impressionante quando reabrimos as janelas. Além da iluminação, me preocupei com um ambiente arejado, com ventilação cruzada, de modo a diminuir o consumo de energia — afirma Ado, que fez mestrado em design no IED de Milão. — A cobertura do terraço (hoje uma estrutura plástica) será em tela dupla, criando um colchão de ar que reduz o calor.

Diretor do instituto no Rio, Fabio Palma criou o IED sem Carro, para atender à associação de moradores, com ônibus para levar os alunos entre um estacionamento fora da Urca e o instituto, que ganhou um bicicletário.

— Desde que o prédio foi restaurado, a praia voltou a ser um espaço público em harmonia com o estilo de vida tranquilo do resto do bairro — diz Fabio, que prevê mais seis cursos de pós-graduação no semestre que vem. — Queremos ser a praça que o bairro não tem.

O homem que dá cartaz aos botequins

O pintor Eduardo Lemos, criador de letreiros de centenas de bares, já ilustrou livro e assinou abertura e cenários de séries na tv

Roberto Kaz (Email · Facebook · Twitter)

Eduardo: “Até hoje não acredito quando vejo meu trabalho na TV” Guito Moreto / Agência O GLOBO 

RIO — Das mãos de Eduardo Lemos já saíram desenhos de cozidos, sardinhas, picanhas, sopas Leão Velloso. Eduardo já pintou sanduíche em cartaz de padaria, boi em letreiro de açougue e português de bigode em placa de adega. Com seu traço simples, algo infantil, espalhou imagem de pastel, salaminho, cachorro-quente, fatia de pizza e frango assado pelos rincões da baixa gastronomia carioca. Talvez o leitor não tenha reparado — mas provavelmente já frequentou algum bar onde pediu um quitute cuja ilustração, na parede mais próxima, havia sido feita por Eduardo.

— O desenho dele deixa uma memória — diz o designer Christiano Menezes, sócio do estúdio Retina 78, especializado em fazer capas de livros para o mercado editorial. — O Eduardo acabou criando uma estética espalhada pela cidade. Consegue ser quase onipresente.

Aos 41 anos, com ao menos 20 de ofício, Eduardo já assinou centenas de letreiros de pequenos comércios do Rio. Em 2007, contratado por Menezes, ilustrou a sétima edição do guia “Rio Botequim’’. No ano passado, a pedido do canal Multishow, fez a abertura da série “Vai que cola”, estrelada por Paulo Gustavo, Fernando Caruso e Marcus Majella.

Nascido em Nova Iguaçu, Eduardo não tem curso técnico ou universitário. Fez uma aula de desenho aos 15 anos e, ainda adolescente, passou a trabalhar com a confecção de letreiros, painéis, faixas e cartazes. Aos 21 anos, soube, por um anúncio de jornal, que precisavam de profissionais do ramo numa casa de letreiros na Lapa. Ofereceu-se.

— Foi lá que aprendi mesmo — ele conta. — Os outros funcionários só faziam as letras, mas eu achava que o letreiro sem desenho não chamava muita atenção. Com o tempo, passei a decorar os cartazes de lanchonete e restaurante. Fazia prato de comida, salgadinho, iogurte. O dono da loja passou a me dar os trabalhos mais complicados.

Corridos cinco anos, alugou um espaço na Praça Tiradentes para trabalhar por conta própria. Além dos bares, passou a fazer cartazes de salões de beleza, oficinas mecânicas e mercadinhos de bairro. Usando sempre tinta vinílica sobre lona, sem rascunho, produziu cartazes para o Amarelinho da Glória, mas sua “Brasília de Niemeyer”, por assim dizer, foi a Feira de São Cristóvão. Ilustrou um sem-número de barracas do centro nordestino — sempre assinando com o diminutivo “Edu” e o telefone (para a eventualidade de futuros trabalhos).

Foi assim que Christiano Menezes e seu sócio, Chico de Assis, chegaram ao seu nome.

— Estávamos prestando atenção em cartazes de rua, procurando alguém para ilustrar pratos típicos no guia de botequins — lembra Menezes. — Os desenhos do Edu eram os mais expressivos. Tinham um traço sintético, que comunicava de uma forma direta. Eu diria que eles têm a simplicidade de um “prato feito’’.

Publicado o livro, Menezes ficou com uma ilustração de um um frango assado de padaria (a famosa televisão de cachorro), que pendurou na parede de casa.

— O Bar do Beiçola, do programa “A grande família’’, também usou algumas ilustrações do Edu — ele diz.

No começo do ano passado, foi a vez do designer Manuel Falcão procurar Eduardo. Gerente de artes da Globosat, Falcão precisava de alguém com uma “linguagem de rua”, como frisou, para ilustrar a abertura da série “Vai que cola”.

— O programa se passa no subúrbio. Queríamos uma estética popular — conta. — Achamos o telefone do Edu no letreiro de um bar, o Risoto, em Botafogo. Ele tem um traço de fácil compreensão. Remete à estética de feira, e está no imaginário de muita gente no Rio.

Casado, Edu mora com a mulher e um filho de 13 anos numa casa em Duque de Caxias, onde trabalha. Na última semana, estava empenhado em terminar o letreiro de uma lotérica no Caju e a abertura da segunda temporada do seriado.

— Agora, além da abertura, me pediram um desenho para cada episódio — ele conta. —Até hoje não acredito quando vejo meu trabalho na TV.

Fonte: Jornal O Globo - Rio.

Brasileira selecionada para a coleção da Família Real gosta de fazer arte para as pessoas rirem

Sônia Menna Barreto coloca personagens famosos da história em lugares inusitados


Lívia Breves 

RIO - Sônia Menna Barreto considera que uma pessoa entendeu sua obra quando, ao invés de fazer um comentário cheio de referências, ela sorri. Os dípticos de cartas de baralho (que são exatamente do tamanho padrão das cartas) ou a tela que homenageia Gustave Caillebotte — Sônia fez uma versão de “Rainy day” com um menino saindo do quadro segurando um guarda-chuva e se fazendo de equilibrista em cima de um fio grudado com esparadrapo na pintura — são para fazer graça, não teoria. 

— O riso é a minha meta. Quem acha engraçado entendeu a maior parte do meu trabalho — conta ela, que não se acha lá tão divertida quanto suas pinturas. — Escolhi o movimento Surrealista e a técnica trompe l’oeil como referências.

É fácil se divertir vendo as cenas de Sônia, que coloca personagens famosos da história em lugares inusitados, como Maria Antonieta, uma das suas preferidas, que aparece em várias versões: pintada em uma combinação de dois pratos, em almofadas e em telas. Madonna, Frida Kahlo, Andy Warhol, Dalí também têm vez.

— Maria Antonieta é um ícone. Tem muitas coisas boas de desenhar que remetem a ela: perucas, sapatos, macarrons — explica a preferência.

O interesse pela pintura começou nas aulas de arte com Luiz Portinari (irmão de Cândido, a quem ela chama carinhosamente de Lói) onde aprendeu as técnicas e como lidar com o material. Na escola de artes de Lói havia uma mesa grande, cheia de livros de pintores famosos. Ele pedia à Sônia para escolher um e estudá-lo. Essa memória tem reflexos até hoje. A série “Livros objetos”, que ela pinta atualmente, tem a ver com essa lembrança.

— A diferença é que, hoje, sou capaz de replicar os desenhos. Às vezes, Lói dizia que a pintura estava “bem ruinzinha” e dava a dica de como melhorar. Assim aprendi — lembra Sônia, que se tornou a única brasileira a ter uma obra na concorrida Royal Collection da Família Real Britânica. — O curador da coleção conheceu o quadro “Leonard Cheshire”, em que retrato a história de um herói nacional da Inglaterra, Sir Leonard Cheshire, e a arrematou. A cerimônia de entrega da obra na sala principal do Palácio de Buckingham foi o máximo — conta animadíssima sobre o evento, em 2002.

Sônia não se limita aos quadros. Além de pinturas, desenha pratos, almofadas, joias e, em breve, peças de design inspiradas nos quadros e uma linha de mobiliário. Antes de se tornar artista plástica, ela se formou em Desenho Industrial.

— Pretendo já apresentar os objetos na próxima Design Weekend, em agosto, em São Paulo — adianta ela, que fará biombos, mesas, cadeiras e porcelanas. — Aprendi que a arte não deve ter preconceitos. As mesmas pessoas que têm os meus originais compram os pratos e almofadas. E vice-versa.

Suas pinturas realistas (e fantasiosas) às vezes confundem. É preciso olhar duas, três, quatro vezes para saber se é pintura, foto ou escultura. Recentemente, Sônia postou no Facebook a pintura de um bordado, e todos acharam que ela estava aprendendo a bordar, com tecido e linha.

— Várias pessoas me perguntaram. Até que não seria má ideia. Essa semana, na Rússia (ela participou da mostra “A arte brasileira invade Moscou”, na galeria Na Kashirke), vi uma obra da década de 20, na galeria Tretyakov, toda em bordado e me encantei completamente. De repente, aprendo — diz ela, que, entre os contemporâneos, admira Joana Vasconcelos, Adriana Varejão e Sandra Cinto.

Antes de começar a pintar em seu ateliê em Alphaville, perto de São Paulo, toda uma pré-preparação é feita. Para começar, Sônia faz uma pesquisa histórica e, depois, dá o seu verniz fantasioso, adicionando personagens de sua predileção, como arlequins e bailarinas (“Isso dura dias”). Na hora de passar para a tela, várias camadas de gesso vão por cima da cambraia de linho até tornar a superfície tão lisa quanto um mármore. Depois, Sônia prepara as tintas junto com aglutinantes, criando uma gama própria de cores.

— Faz parte da técnica flamenga. É muito artesanal, precisa de paciência. Faço assim desde que comecei — diz sobre a rotina real que vive para pintar fantasias.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Morre arquiteto João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé, aos 82 anos

Um dos maiores parceiros de Niemeyer e Lúcio Costa, o carioca tinha câncer de próstata

Lelé Filgueiras, um dos artífices de Brasília, morreu aos 82 anos. Ele lutava contra um câncer de próstata (Rede Sarah Brasília / Divulgação) 

BRASÍLIA — Parceiro de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa na construção de Brasília e responsável pelos nove hospitais da rede Sarah Kubitschek, o arquiteto João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé, morreu nesta quarta-feira em Salvador, aos 82 anos. Ele lutava contra um câncer de próstata e faleceu às 12h10, no hospital Sarah Kubitschek de Salvador, por insuficiência múltipla de órgãos, depois de piora no quadro de câncer de próstata. O velório acontece na manhã desta quinta-feira, em Salvador, no Centro Administrativo da Bahia, na Capela da Igreja da Ascenção do Senhor. No fim da tarde, o corpo deve chegar em Brasília, onde será velado e enterrado na sexta, ainda em locais não definidos.

Lelé era "o arquiteto em quem arte e tecnologia se encontram e se entrosam", dizia Lúcio Costa, que desenhou Brasília e tinha em Lelé e em Niemeyer dois grandes pontos de apoio na empreitada modernista, tombada pela UNESCO em 1987. Lelé Filgueiras chegou ao Planalto Central apenas dois anos depois de se graduar na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, em 1957, e três anos antes da inauguração da nova capital. Com o rápido crescimento no número de operários, Lelé teve o desafio de erguer alojamentos para todos em pouco tempo, com a máxima racionalização, na lógica norteadora da capital de "50 anos em 5". Depois da madeira, veio o concreto armado, em prédios residenciais do Plano Piloto e na Universidade de Brasília (UnB), cuja espinha dorsal, o Instituto Central de Ciências, foi detalhado por Lelé após os traços iniciais de Niemeyer. No fim de 2010, foi inaugurado o Memorial Darcy Ribeiro na universidade, desenhado por Lelé e apelidado de "beijódromo", expressão que Darcy utilizava para falar de uma universidade livre.

Nos nove hospitais da rede Sarah Kubitschek - dois em Brasília, São Luís, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Macapá, Belém e Rio -, a partir da unidade de Brasília, erguida em 1980, Lelé tem suas obras mais conhecidas. Equipamentos do hospital, móveis e até elevadores foram projetados também por Lelé, integrados à estrutura arquitetônica. E foi em um hospital da rede que Lelé teve seus últimos momentos. Aloysio Campos da Paz Júnior, cirurgião-chefe e idealizador da Rede Sarah, conheceu o arquiteto quando Lelé veio se recuperar em Brasília após um acidente automobilístico. De ideias trazidas por Campos da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e da afinidade entre os dois, nascia a rede Sarah.

"Ele criou os espaços que permitiram a implantação de uma cultura em medicina de reabilitação, que, por meio de gerações, vem beneficiando milhares de brasileiros. Alguns são honrados com monumentos depois da vida. O Lelé ergueu os seus monumentos em Vida e eles são a maior testemunha de seu gênio", escreveu Campos.

Em Salvador, cidade que decretou luto no dia de hoje e onde o arquiteto será velado antes de ir para Brasília, Lelé projetou passarelas que seriam integradas a um sistema de mobilidade urbana com bondes. Em favelas da cidade, Lelé concebeu escadarias e tubos de águas pluviais, e a própria comunidade poderia fabricar as formas. Com materiais pré-fabricados leves, Lelé trouxe grande avanço à industrialização da construção, o que permitiu construir escolas, principalmente no Rio e em Salvador, em ritmo veloz.

— Um dos melhores arquitetos do mundo. Muita tristeza em perder uma pessoa alegre, muito inteligente, completamente excepcional como arquiteto. Uma pessoa muito boa. Tinha uma preocupação social constante. Mas é como Niemeyer diz: a vida é um sopro. Perdi um grande amigo — disse Ítalo Campofiorito, que trabalhou com Lelé na UnB de 1962 a 1965, quando houve uma demissão em massa em protesto contra a ditaura. Ítalo era diretor da Escola de Arquitetura e Lelé era diretor executivo do Centro de Planejamento.

— Eu diria que toda a obra foi dedicada ao social. Casa, só para os amigos. Ele sempre preferiu fazer obras sociais do que obras particulares. Infelizmente, o reconhecimento internacional da obra do Lelé é muito baixo, com poucas publicações e por Lelé ser muito humilde, com foco na arquitetura social. É uma pena. Mas o legado dele está aqui e vai ficar. O Lelé era aquele arquiteto completo, tanto da construção, estética, projeto... — conta Cláudia Estrela, amiga de Lelé há mais de 30 anos, quando ela ainda era estudante de arquitetura da UnB.

Cláudia dá aulas de arquitetura na universidade e escreveu "Olhares", livro sobre Lelé. A humildade do arquiteto é muito comentada pelos arquitetos. Ao ser elogiado, não hesitava: "Que nada, gente, sou apenas um aprendiz há mais tempo".

— A essência da arquitetura é a invenção, e o Lelé sempre pautou seu trabalho buscando inovar em todas as áreas que ele trabalhou, sempre com conforto e tecnologia — afirma Sérgio Magalhães, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Rio 450: comemorações ganham uma marca com a cara da cidade

Símbolo, que representa um rosto, foi criado por escritório da cidade e concorreu com outros 27 projetos

Rodrigo Bertolucci (Email · Facebook · Twitter)


Marca mostra o perfil ‘de todo mundo que faz parte do Rio, seja por nascimento ou por escolha (Reprodução)

RIO - O prefeito Eduardo Paes apresentou, nesta quarta-feira, no Palácio da Cidade, a marca das comemorações dos 450 anos da cidade. Em vez de escolher cartões-postais como o Cristo Redentor ou o Pão de Açúcar como ponto de partida, o escritório Crama Design Estratégico, vencedor do concurso público promovido pela prefeitura, optou por uma solução gráfica. A proposta é que a imagem, que concorreu com outras 27, seja amplamente utilizada pela sociedade e se torne um grande símbolo do aniversário do Rio. O calendário comemorativo preliminar, que contará com seis ideias sugeridas pelos cariocas e eleitas em votação popular, também foi apresentado.

Segundo Paes, a marca dos 450 anos é uma expressão que, além da cara do carioca, é a cara da comemoração dessa festa. Ela é composta pelos três algarismos do número 450 e, segundo os seus criadores, mostra o perfil “de todo mundo que faz parte do Rio, seja por nascimento ou por escolha”. Ricardo Leite, diretor da Crama Design Estratégico, que idealizou a marca, afirmou que queria apresentar um trabalho que pudesse ser amplamente adotado pelo Rio:

— O mais importante era encontrar uma solução que fosse dos cariocas. Uma marca que pudesse ser adotada por cada pessoa, que tivesse singularidade e pluralidade simultaneamente.

Cinco jurados escolheram os vencedores

O presidente do Comitê Rio450, Marcelo Calero, está otimista. Para ele, esse é o momento de o carioca refletir sobre a importância da cidade.

— Foi um sucesso. Estamos felizes com o resultado — disse Calero.

Paes também não conteve sua satisfação. Ele destacou que, com poucos traços, a marca pode ser personalizada e compartilhada facilmente.

— Ela tem a leveza e a cara do carioca. É uma marca solta, alegre e informal, que fala bem sobre o momento de democracia e de avanço da cidade que a gente vive. Adorei, e estou cheio de ideias para sua utilização. Queremos que o carioca a utilize livremente. A partir de agora, estará presente em nossas ações e intervenções pela cidade — afirmou o prefeito.

O corpo de jurados que escolheu o trabalho vencedor foi presidido pelo arquiteto Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, e composto pelo diplomata Marcelo Calero, presidente do Comitê Rio450; pelo publicitário André Eppinghaus; pelo artista plástico Ângelo Venosa; e pelos professores Bruno Porto (UnB) e Evelyn Grumach (PUC-Rio) e Joaquim Redig (PUC-Rio). Joaquim trabalhou no escritório PVDI com Aloísio Magalhães — autor da marca da comemoração do IV Centenário, festejado em 1965.

A escolha também teve boa repercussão fora do Palácio da Cidade. O designer Fred Gelli gostou da proposta. Responsável pelas marcas dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Paralímpicos de 2016, Gelli considerou a imagem para os 450 anos do Rio inteligente, carioca e simples:

— A capacidade de fazer muito com pouco é algo bem brasileiro. A marca tem esse brilho, por ser simples, e representa a diversidade do carioca, o perfil de quem é nascido aqui e o carica de coração. Mas a marca, para funcionar bem, dependerá muito das aplicações (os desenhos feitos sobre a marca). Vamos torcer para que isso aconteça e tomara que as pessoas enxerguem na marca um convite para tentar diminuir o baixo astral que o Rio tem vivido.

Para a vice-presidente de administração do departamento regional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), Fabiana Izaga, a marca lúdica pode ser facilmente apropriada pelas pessoas que gostam ou moram na cidade:

— O Rio de Janeiro, nos seus 450 anos, é múltiplo. A marca valoriza, com identidade, a descontração, os vários modos de usar e vivenciar a cidade.

Calendário oficial de comemorações

Nesta quarta-feira, durante a cerimônia de apresentação dos vencedores do concurso, Eduardo Paes também assinou dois decretos relativos à comemoração dos 450 anos da cidade. Um deles aborda a gestão da marca dos 450 anos. O outro, o Pró-Carioca, valoriza a memória e a cultura popular do carioca.

Na ocasião, o prefeito homenageou os autores das ideias vencedoras que farão parte do calendário oficial do aniversário da cidade. A consulta pública, por meio do portal rio450anos.com.br, teve início em dezembro de 2013 e recebeu 1,5 mil sugestões.

Por votação, foram escolhidos: o Festival de Bossa Nova em Ipanema; a reforma da pista de skate da Praça Nossa Senhora da Apresentação, em Irajá; a arborização da Estrada de Três Rios, em Jacarepaguá; a ocupação cultural da Ladeira da Misericórdia, no Centro; e uma exposição com material histórico coletado junto à população.

Nos 400 anos, 4 números 4 

A marca apresentada nesta quarta-feira tem um grande desafio pela frente: ir além do que foi, para a cidade, a marca das comemorações pelo quarto centenário do Rio. Criada pelo designer e artista plástico Aloísio Magalhães, que também é responsável pela criação da primeira marca da TV Globo, o símbolo sobrevive há décadas. Quem tem menos de 60 anos pode ter dificuldades para imaginar como a logomarca entrou na vida do Rio e dos cariocas em 1965, tempo sem internet e sem tantas TVs. 

A marca, quatro números 4 rotacionados, ligados entre si, foi escolhida entre 500 outros projetos por meio de um concurso . Depois disso, ganhou as ruas da cidade. Além de cartazes e folhetos institucionais, foi parar em calçadas como a da Rua Estrela, no Rio Comprido; em endereços como a Avenida Adhemar Bibiano, em Del Castilho, onde fica o Condomínio IV Centenário; em desfiles de escola de samba; corrida de automóveis; concurso de miss; relógios de pulso; e até em pipas.

Assim, a festa de aniversário do Rio deixou um legado não só para o design brasileiro, mas para toda a cidade. 

O pulo do gato do design especial para felinos

Design Rio
Rodrigo Bertolucci, Ludmilla de Lima e Simone Candida
granderio@oglobo.com.br

Quem tem um animalzinho de estimação sabe muito bem que não é fácil mantê-lo distante da mobília e dos demais ornamentos da casa. Os gatos, em especial, escolhem aquele móvel mais importante (e mais caro) o ambiente para afiar suas unhas. Mas como ter uma fofura dessas dentro de casa sem prejudicar a decoração?

 Design de artigos para gatos (Divulgação)

Os designers Flávio da Costa e Satsumi Murakami, da Caburé Studio, arrumaram uma solução: a dupla criou o “Temaki”, um arranhador-cama para felinos, que já foi exposto em duas grandes mostras de design e vem fazendo sucesso por aí. O apetrecho já foi exibido no Salão Design Movelsul, em Bento Gonçalves (RS), uma das maiores feiras de design do Brasil, e na Rio+Design Milão 2014, mostra integrante da Semana de Design de Milão, Fuorisalone na Zona Tortona, que acabou de acontecer.

A peça, criada para a empresa Casa Gato, foi inspirada num temaki da culinária japonesa. A estrutura, em forma de cone, é coberta por mantas de sisal, fibra natural e sustentável.

Segundo Flávio e Satsumi, foi gratificante ver o produto como um dos representantes do design carioca em eventos renomados da área.

—Foi desenhado para combinar com o estilo dos donos de gatos que não abrem mão de um bom design. Dessa forma, o produto atende aos bichanos e também aos proprietários, como um objeto integrado à decoração — destaca Satsumi.

Novos projetos estão a caminho, conforme os profissionais. Entre eles, a versão do “Temaki” em outros materiais e formatos, como caracol, caramujo e cabana. Todos confeccionados para a empresa Casa Gato.

— Fora ser prazeroso e divertido criar essas peças com a finalidade de proteger os demais móveis, o mercado para produtos pet está aquecido: o Brasil , segundo a Casa Gato, tem hoje mais de 100 milhões de animais de estimação. Entre eles, quase 60% são cães e gatos. E o número de gatos de estimação, principalmente em apartamentos, só aumenta, devido à sua independência e praticidade de criação — ressalta Flávio.

Gatos ‘ajudaram’ na criação da peça

Para a dupla, criar um design para gatos foi uma experiência bem interessante.

— É divertido ver a reação dos bichanos aos protótipos. Nós testamos, com os gatinhos Lola e Paco (de nossa amiga Adriane de Andrade) e eles têm suas atitudes e gostos particulares. A Lola preferiu arranhar carpetes sintéticos e Paco ficou apaixonado pelo sisal — comenta Satsumi, formada em design de produtos pela UFRJ.

Para eles, existem muitos produtos funcionais para os bichanos no mercado brasileiro, porém, há espaço para o aprimoramento estético e funcional destas peças. O insight para o “Temaki”, conforme os designers, veio do manuseio e de experiências diretas com os materiais.
 

— Isso mostra a importância de “meter a mão na massa" no processo do design. Além do desenho e do uso do computador, é importante a pesquisa com os usuários, neste caso, os felinos — diz Flávio, que é formado em design gráfico pela UFRJ.

O sucesso com a exposição e os pedidos para criar novos modelos de camas para os bichinhos de estimação empolgaram os designers.

— Foi algo que fizemos, mas que não imaginávamos que ia ter um retorno tão gratificante. Estamos felizes com os resultados e é grande a expectativa para os novos produtos — comenta Satsumi.

A decoração da residência da escritora Cora Rónai já precisou passar por alguns ajustes. Apaixonada pelos bichanos, ela teve que trocar boa parte de sua mobília.

— Uma das maiores extravagâncias que eu fiz foi encomendar duas imensas — e lindas! — camas de ratam para a minha “famiglia gatto" numa loja especializada nos Estados Unidos. O preço americano era até razoável para o que elas são, mas acrescido do frete e das taxas de importação, ficou tão absurdo que a hipótese de mandar vir peças felinas elegantes do exterior foi definitivamente descartada aqui em casa — lembra.

Mas como conciliar a paixão pelos felinos e o gosto por casas bem decoradas? Combinar essas duas variáveis não é fácil. Para Cora, além do poder destrutivo que os felinos têm, outro empecilho é a “estética” dos móveis feitos para eles.

— Em geral essas peças são horrendas, feitas por pessoas bem intencionadas mas sem qualquer talento para decoração. Aos poucos, felizmente, isso está mudando. No exterior, já existe uma corrente forte de móveis e objetos bem acabados e de bom gosto para gatos, e aqui, parece, começamos a dar os primeiros passos. Já não era sem tempo!

Entre cenários, estúdios e projetos

Proprietários da Caburé Studio, empresa de design voltada para projetos de exposições e cenografia, design de produto e gráfico, Flávio e Satsumi já projetaram cenários para programas da TV Globo, como o “Globo Rural", para o “Entre Aspas" e o “Estúdio i", da Globo News, e o “Arena” e o “Redação SporTV", do SporTV, entre outros.

No ramo de museus, eles já idealizaram vários projetos de exposições. Também criaram aparatos interativos para os museus do Universo, de Astronomia e Ciências Afins e também para o Centro Design Rio e o Centro Cultural Correios.

A dupla desenhou, em parceria com a equipe de arte do jornalismo e esporte da TV Globo, um sofá e uma mesinha que serão usados nos estúdios do SporTV na Copa.

— É muito estimulante poder criar e traduzir em ilustrações e objetos os conceitos que recebemos dos cientistas e pesquisadores, de painéis a aparatos interativos — destacam os designers, que seguiram para a área de cenários de TV após trabalhar com projetos de espaços esportivos.

— Recentemente trabalhamos no design de produtos e móveis para indústrias do Rio, a convite do Senai Moda Design, juntamente com outros designers cariocas. Para nós, também foi uma honra participar do Procompi, programa que visa a utilização do design como estratégia para as indústrias do Rio — dizem os profissionais, fascinados pelo desafio de manter a decoração dos clientes garantindo o bem-estar dos bichanos.

— O design é uma ferramenta para promover o desenvolvimento social, econômico e ambiental — afirma Flávio.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A mítica Bauhaus em fotos e vídeos

Oi Futuro Ipanema apresenta painel da criativa produção audiovisual da escola fundada em 1919 na Alemanha
Mostra com 50 imagens e 20 filmes fica em cartaz até 20 de julho

Nani Rubin (Email)
 
Autorretrato de Herbert Bayer. A fotomontagem de 1932 está na exposição “bauhaus.foto.filme”, no Oi Futuro Ipanema / Divulgação/Bauhaus-Archiv Berlin

Rio - A mão de Wassily Kandinsky é rápida no manejo do pincel, e o espectador acompanha ao longo de três minutos o desenho feito em nanquim sobre a superfície branca, parte da série “Mãos criativas: os pintores” (1926), de Hans Cürlis. Em outra sequência, no que é conhecido como seu filme mais experimental, o artista e fotógrafo Lászlo Moholy-Nagy “pinta” com a luz produzida por objetos cinéticos, em “Um jogo de luz: preto-branco-cinza” (1930/1932). Parte de uma produção importante da Bauhaus, escola alemã que se notabilizou pelas criações nas áreas de design, arquitetura e urbanismo, esses e outros 18 vídeos, além de 50 fotografias, estão na exposição “bauhaus.foto.filme”, em cartaz até 20 de julho no Oi Futuro Ipanema.

A faceta audiovisual pode ter ficado em segundo plano diante da magnitude das mudanças na arquitetura ou no design, mas acabaram não só servindo como suporte de experimentações artísticas como também de registro de tudo o que se fez no centro de ensino fundado em 1919, de cujo corpo docente, além de Kandinsky e Moholy-Nagy, faziam parte Walter Gropius, Marcel Breuer, Paul Klee e Oskar Schlemmer, entre outros.

— Na Bauhaus nasceram alguns dos primeiros filmes de arte produzidos no mundo — observa Alfons Hug, idealizador da mostra, que tem curadoria de Christian Hiller, Philipp Oswalt e Thomas Tode (da Fundação Bauhaus Dessau) e de Anja Guttenberger (do Arquivo Bauhaus / Museu de Design em Berlim). — Por isso dedicamos uma seção a eles.

Os filmes experimentais, como os dois citados acima, estão numa sala do primeiro andar do instituto, junto com as fotos também consideradas de arte. Como, por exemplo, a preferida de Hug: “Michiko Yamawaki ao tear”, de Hajo Rose. Datada de 1931-32, ela chama atenção não só por sua estética, na qual o rosto de uma mulher praticamente some atrás das linhas do tear, mas também por retratar uma vertente da escola da qual pouco se fala: a criação têxtil, com bordados, tricô e tecelagem, praticamente o único curso frequentado por mulheres nos primórdios da Bauhaus.

— Ela tem uma aura quase oriental, como se estivesse escondida atrás do véu, uma certa abstração — comenta Hug.

Na mesma sala, outras fotos mostram os objetos de design criados na escola, como uma chaleira desenhada por Marianne Brandt ou utensílios de cerâmica de Theodore Bogler.

Um monitor, no térreo do prédio, reconstrói a programação de filmes no dia da inauguração, em 1926, do Edifício Bauhaus em Dessau (a escola, fechada em 1933 pelo nazismo sob alegação de não representar as aspirações germânicas, tem sedes em Dessau, Weimar e Berlim). Por fim, no terceiro andar, estão fotografias de arquitetura e retratos, acompanhados de filmes sobre arquitetura. Entre eles, trechos da série “Como viver de modo saudável e econômico?” (1926-1928), em que são apresentados os projetos modulares e os fundamentos da revolução funcional nos interiores das residências, em contraponto ao excesso característico de fim do século XIX.


terça-feira, 20 de maio de 2014

Designer cria móveis inspirado em animais


“Sending Animals” é uma coleção de móveis inspirada pelas formas e silhuetas de diversos animais.


Criada pelo designer italiano Marcantonio Raimondi Malerba a série é composta por um armário em forma de vaca, uma mesinha de canto em forma de ganso e um móvel para guardar livros em forma de porco. Sustentáveis, todas as peças do mobiliário são feitas a partir de caixas de transporte de madeira.

Com esta coleção, Malerba visa investigar a relação entre o homem e natureza, fazendo esta reflexão ser um pouco mais presente na vida das pessoas.

Apesar de unir diferentes contextos, tratam-se de peças lindas que unidas tornam-se ironicamente harmoniosas.





Fonte: Catraca Livre.

‘Tempos de Fusca’: exposição leva desenhos e pinturas desse clássico carro à OMA Galeria

Por Redação Catraca Livre.

Quem nunca andou em um Fusca? Todos nós sabemos que esse clássico carro fez parte da história de muita gente. Famoso em todo o mundo, ele agora é tema da exposição inédita “Tempos de Fusca”, na OMA Galeria. A mostra fica em cartaz de 10 a 23 de maio, de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados das 10h às 14h. A entrada é totalmente Catraca Livre.

 “Fusca Rosa” é uma das obras da exposição “Tempos de Fusca”, na OMA Galeria

Com formas arredondadas e aquele característico som do motor, o Fusca é um automóvel tipo “namoradinha do Brasil”. É difícil encontrar uma família que não tenha andado em um por aí. Hoje, com 55 anos, esse velho companheiro já é considerado um vintage.

Luiz Veiga, artista plástico e diretor de design na Volkswagen do Brasil, fabricante do modelo automotivo, leva cerca de 13 obras inéditas e exclusivas para a mostra. Ele explora as cores e os movimentos únicos desse carro por meio de desenhos feitos à caneta esferográfica em papel, pintura digital, acrílica sobre tela, entre outras técnicas.


A exposição é até 23 de maio, na OMA Galeria (http://www.omagaleria.com/) em São Bernardo do Campo (São Paulo).

Artista usa lixo para construir casas incríveis para moradores de rua

Por Redação Hypeness.
 
Lixo é tudo aquilo que não pode mais ser aproveitado. Mas será que não pode mesmo? Na Califórnia, o artista Gregory Kloehn tem ajudado moradores de rua a ter um teto para chamarem de seu ao construir pequenas casas móveis utilizando material que vem, sim, do lixo.

Poderia ser a imaginação de uma criança, mas no projeto Homes for the Homeless, criado por Kloehn, porta de máquina de lavar vira janela, porta de geladeira vira porta de casa e quase tudo pode ser usado como tijolo.

Do tamanho aproximado de um sofá, cada casa é construída de forma diferente, utilizando sempre materiais que foram descartados. O artista visita áreas de despejo de lixo, faz a seleção do material e auxilia a tornar um pouco menos sofrida a vida das pessoas que têm a rua como casa. O projeto já conta com diversos voluntários, principalmente adolescentes das escolas da cidade de Oakland.

Vejas as imagens e tente não se apaixonar por esse projeto:








Todas as fotos © Gregory Kloehn

Pode-se dizer que Gregory Kloehn é um especialista em casas alternativas. No verão, o artista costuma visitar sua casa em Nova York: um latão de lixo adaptado, com direito a cozinha, quarto e até um banheiro. O pequeno, definitivamente, é uma questão de perspectiva.

Outras informações em: Daily News America.