quarta-feira, 30 de abril de 2014

Das luzes do palco para luminárias de casa

Mestre na arte de iluminar desfiles, shows e peças teatrais, Maneco Quinderé acaba de lançar sua linha de luminárias, com 12 peças em cimento de alta performance e detalhes em madeira, aço e cobre.


Simone Candida, Ludmilla de Lima e Rodrigo Bertolucci
granderio@oglobo.com

Maneco Quinderé está otimista com sua nova produção
Daniela Dacorso / Agência O Globo

Aconteceu em julho de 2004, quando Maneco Quinderé, um expert na arte de iluminar desfiles, shows e peças teatrais, foi convidado para projetar a iluminação de uma residência na cidade baiana de Trancoso. Ali nascia, de forma despretensiosa, seu interesse pelos desenhos de luminárias para interiores. O que parecia ser uma brincadeira com detalhes de luz se tornou uma de suas grandes paixões. Dez anos depois, Maneco, que coloca atores de óperas e de espetáculos como “Exercício nº 1", de Bia Lessa; “Pérola”, de Mauro Rasi; e “Elis, a Musical”, de Nelson Motta e Patricia Andrade, sob os holofotes, assina sua primeira coleção. O convite para transformar ideias em peças de decoração surgiu em 2012, a pedido da LZ Studio, e se concretizou no mês passado, quando Maneco lançou suas 12 luminárias em cimento de alta performance, com detalhes em madeira, aço e cobre. 

 A sua nova paixão já atravessou fronteiras com a peça Mesa Jardim, de 2011, que foi exposta em Berlim, na Alemanha. Agora, essa e outras quatro luminárias de Maneco (Pé de Elefante, São Conrado II, Black Bibi e Floriano Madeira) estão em cartaz na Caixa Cultural do Rio, no Centro. Trata-se da mostra de mobiliário “Design brasileiro, moderno e contemporâneo”, de curadoria de Zanini de Zanine e Raul Schmidt, que reúne ícones modernos e peças raras e inéditas de 16 expositores, com a finalidade de contar a história do design de móveis no Brasil. A mostra pode ser apreciada até o próximo domingo. Além de Maneco, mestres renomados da área, como Sergio Rodrigues, Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, José Zanine Caldas, Carlos Motta e Domingos Tótora, participam da exposição.

O que o inspira? Maneco explica: “minha memória afetiva”. Um exemplo é a Pendente Leve, peça com cúpula de concreto, inspirada nas lamparinas vendidas nas feiras de Teresina, no Piauí — cidade onde ele nasceu —, que frequentava quando criança. A Onda, outra de suas criações, vem da beleza das praias do Rio, que o fascinam.

— Sempre fiz meus desenhos entre a iluminação de um espetáculo e de uma residência, mas sem compromisso. Lançar essa coleção, hoje, é um amadurecimento profissional e me dá muito prazer — diz.

Acostumado a iluminar grandes espetáculos, Maneco, de 50 anos, confessa sentir um friozinho no estômago com o novo desafio. Para ele, tudo aconteceu de forma inusitada, e o termômetro para avaliar a boa aceitação de sua coleção é o público.

— Até a atriz Fernanda Montenegro, que é um ícone da dramaturgia brasileira, fica ansiosa antes de subir ao palco. Não seria diferente comigo, né?

Em seu escritório, no Jardim Botânico, entre livros, fotos e objetos, Maneco não esconde sua admiração pelo cantor e compositor americano Bob Dylan. Nas estantes, além de álbuns de Dylan, também é possível ver outra grande paixão do iluminador: imagens do personagem das histórias em quadrinhos Tintim.

E sabe a primeira luminária que ele desenhou para uma residência na cidade baiana de Trancoso, em 2004? Ela também faz parte da decoração do escritório de Maneco, que guarda assim a peça que marcou a descoberta de sua nova vocação.

União de obra de arte e design

Um objeto que ajuda a iluminar e, principalmente, enfeitar o hall, a sala, o quarto ou um ambiente externo, para Maneco Quinderé, é muito mais que uma simples luminária. Trata-se de um artigo de design com — digamos — poesia.


— Existe um limite entre o design e a obra de arte. Mas as duas coisas estão ligadas. Antes eu achava que o design era apenas solução, mas hoje sei que ele combina com poesia e tem que cumprir a sua função — diz o iluminador.

No Brasil, há grandes designers, verdadeiras referências para o iluminador: Sergio Rodrigues e Zanine Caldas, por exemplo, foram pioneiros na transformação do design brasileiro em design industrial, sendo reconhecidos mundialmente.

Novas coleções

Outro nome citado por Maneco é o do português Joaquim Tenreiro, que ainda jovem veio morar no Brasil e desenhou, nos anos 1950, a cadeira Tripé, que teria sido arrematada por US$ 54 mil no leilão da casa americana Sotheby’s.

— É uma cadeira com três pés e cinco madeiras. Ele desenhou essa obra para o teatro e virou um ícone. É um objeto incrível — destaca Quinderé, exibindo um catálogo com imagens da Tripé.


O arquiteto Oscar Niemeyer também está na lista dos profissionais admirados pelo iluminador. Por quê? Niemeyer criou, em 1978, a chaise longue Rio, com estrutura de laminado de madeira prensada.

— As formas são lindas. São as montanhas do Rio de Janeiro, com todas as curvas características do trabalho do artista. O design brasileiro é incrível — pontua.

A expectativa com sua coleção faz com que Maneco não pare por aí. Além da linha de luminárias para a LZ Studio, ele já pensa em uma linha com preços mais populares para a Tok&Stok.


— Agora não tem mais retorno. Antes tinha feito luminárias para clientes, além de projetos para restaurantes como o Duo na Barra da Tijuca e o Bottega Del Vino Leblon, que são criações particulares. Confesso que fiquei nervoso com o lançamento da coleção e não dormi algumas noites, devido à exposição ao público — revela Maneco Quinderé, um dos mais prestigiados iluminadores que, entre os anos 1980 e 1990, transitou entre produções comercias e trabalhos experimentais.

— Há clientes que pedem coisas que já fiz em 2005, o que me puxa para rever as produções que criei. Mas hoje quero fazer coisas novas, experimentar novos desafios — almeja.

Fonte: Jornal O Globo.
© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Perto de completar 80 anos, marca de óculos Ray Ban quer conquistar o mercado nacional

Primeiro modelo da marca nasceu nos EUA para proteger a visão de pilotos durante voos

Kate Moss: fã de Ray Ban 
Divulgação

MILÃO - Toda vez que o arrojado piloto da Marinha americana, Pete Maverick, aparecia a bordo do seu avião de caça ao som da melódica “Take my breath away”, os suspiros da plateia feminina se tornavam mais intensos. Era 1986, o filme era “Top Gun — Ases Indomáveis”, e um jovem Tom Cruise esbanjava charme com seu óculos Ray Ban Aviator. Trinta anos antes, o rebelde James Dean, em “Juventude transviada”, consagrava-se por seu talento e pela pose de rebelde sem causa por trás de um modelo Ray Ban Wayfarer. Sem falar no astro da música Bob Dylan e no ex-presidente americano John F. Kennedy, que inúmeras vezes foi fotografado com seu Wayfarer 2140. 

Esses e muitos outros personagens tornaram a Ray Ban a marca de óculos mais famosa no mundo. Não há quem não tenha desejado um: seja o modelo Aviator ou o Wayfarer. O importante é ter um Ray Ban. A empresa, que nasceu nos Estados Unidos, em 1937, a pedido de John MacCready, tenente da Força Aérea americana, para proteger a visão durante os voos, tornou-se mania internacional. O óculos com armação de metal e lentes verdes em forma de gotas cruzou fronteiras. O sucesso cresceu ainda mais quando, nos anos 50, foi lançada a versão Wayfarer em plástico e com um desenho inspirado nos carros de traseira rabo-de-peixe. 

Com quase 80 anos, o Ray Ban continua ditando moda. 

— Ele vende por si só, essa é a sua força — assegura Sara Beneventi, diretora internacional do Brand Ray Ban, que, desde 1999, faz parte do grupo italiano Luxottica.

Os modelos Aviator e Wayfarer, os mais tradicionais da marca, seguem chiques do anos 50 até hoje. Mas não é um chique qualquer. O Ray Bansempre foi o favorito de artistas, intelectuais e celebridades. Andy Warhol usou, Marilyn Monroe e Arthur Miller também. Kate Moss, a grande trendsetter da moda na virada do século XX para o XXI, também é fã.

No Brasil, os célebres óculos apareceram na canção “Segurança”, da banda Engenheiros do Hawaii (Você precisa de alguém que te dê segurança/ Senão você dança/senão você dança/ Ele era o tal, cheio de moral, bon vivant/Parecia um galã, usando óculos Ray-Ban). E ainda ajudaram a criar o estilo de galãs e bandidos no horário nobre. O último foi o impagável e detestável Felix, interpretado por Mateus Solano, na novela “Amor à Vida”. O vilão desfilava com um modelo do Ray Ban Round de lentes marrons. 

Desde 2012, a Ray Ban produz modelos no Brasil, em Campinas. Porém, para conquistar o público local não basta apenas rever os preços do acessório, mas torná-lo parte da nossa cultura. Além do lançamento de uma linha Aviator feita para o mercado nacional — com lentes de cores vivas, como vermelho, azul, verde-bandeira, amarelo e laranja —, a marca patrocina o projeto musical “Meet The Legends”, reunindo a nova geração com lendas da música brasileira. Além disso, Bob Wolfenson fotografou pessoas nascidas entre 1937 e 2012 para o livro “Set7enta e 5cinco”. 

A renovação do Ray Ban vem na esteira da tecnologia. Atualmente, as armações de metal dourado do Aviator usado por Tom Cruise em “Top Gun” existem em versões de fibra de carbono e titânio. A conquista do mercado brasileiro e de outros países emergentes é uma das estratégias para manter a Ray Ban no topo, perto dos 80 anos da marca. Por aqui, a primeira aposta é a Copa. Será lançado, em junho, um modelo em edição limitada, criado exclusivamente para o Brasil.

— Queremos conquistar definitivamente o Brasil e ver todos de Ray Ban — diz Sara Beneventi, responsável pelo marketing mundial da grife. 

Fonte: Jornal O Globo
© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

terça-feira, 29 de abril de 2014

O arquiteto dos vestidos de baile

Metropolitan Museum, em NY, homenageia o estilista inglês Charles James com exposição.


Elaine Louie
Do The New York Times

Quando o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, inaugurar, no dia 8 de maio, a exposição "Charles James: Beyond Fashion", com 70 dos elegantes vestidos de baile criados pelo estilista inglês, esta será a mais abrangente mostra sobre a carreira desse arquiteto dos vestidos de baile. O destaque do acervo será o modelo Taxi ou Spiral dress, desenhado por ele em 1929. Era um vestido com corte em espiral rodeando todo o corpo da mulher e que era fechado com zíper. Tornou-se, claro, uma peça icônica de James, que morreu em 1978, aos 72 anos. Outro vestido dele que merece atenção é o Clover Leaf, desenhado em 1952, que não tocava o chão e mostrava uma certa ondulação durante o caminhar da modelo.

Mas a exposição, que segue até 10 de agosto, vai mostrar também um vestido preto de seda, com corte enviesado e mangas-quimono curtas. Nas costas, um V profundo e duas fitas que flutuavam na altura da cintura. Esse foi o vestido que eu usei na noite de 20 de junho de 1975, quase 40 anos atrás. Naquela noite, eu vestia Charles James. Eu fui com o designer, nesta data, à abertura da exposição "Charles James", no Everson Museum of Art, em Syracuse. Foi a minha primeira e última vez vestindo alta costura. A ex-modelo Jerry Hall também fazia parte da caravana.

De dia, eu era editora da revista "Art Direction". À noite, eu era uma verdadeira fashionista, vivendo em lojas vintage, como a Harriet Love, e dizendo aos assessores de Charles que queria escrever sobre moda. Eles me apresentaram a Charles, que queria alguém para ajudá-lo a preparar sua autobiografia. Conheci-o no Hotel Chelsea, em Manhattan. Não era um homem intimidante. Era apenas um centímetro mais alto que eu. Falava com um sotaque inglês e era uma pessoa altamente amigável.

Mas ele também era capaz de se enfurecer. Isso aconteceu quando James acusou Diana Vreeland, então editora da "Vogue" América, de ignorá-lo propositalmente. Ele sentiu que Diana fazia parte de uma conspiração para manter o seu trabalho fora da revista (suas roupas deixaram de aparecer na "Vogue" a partir de 1957.) Ele queria que eu escrevesse um artigo para criticar Vreeland, mas o que eu queria era me concentrar em seu talento, não em suas fúrias.

Meu namorado, Gerry Sussman, teve a brilhante ideia de pedir que Charles James fizesse o meu vestido de casamento. Era janeiro de 1977 e nós nos casaríamos em junho. Seu assistente, Juan, disse que eu deveria esquecer, porque Charles era tão perfeccionista que nunca terminaria o vestido.
 
E assim eu fiz.



Fonte: Jornal O Globo de 26 de abril de 2014, Caderno Ela, p. 8.

Flagrantes Eternos

Mais de 500 fotos e desenhos mostram os diferentes momentos de Henri Cartier-Bresson. E contam também importantes passagens da história do século XX.



À esquerda, homem salta junto à estação de trem de Saint Lazare, em Paris. No alto, Cartier pinta o seu autoretrato diante do espelho. Acima, prostitutas na Cidade do México

Jacqueline Costa
jac@oglobo.com.br

Organizada cronologicamente, a exposição "Henri Cartier-Bresson" vem sendo considerada a mais completa retrospectiva já feita sobre a obra do fotógrafo que fez do instante decisivo, como ele gostava de dizer, um flagrante eterno. Sabendo disso, o público parece não dar a mínima para a longa fila que tem se formado à porta do Centre Georges Pompidou, em Paris. Ainda mais quando se sabe que imagens inéditas do fotógrafo também estão em questão. Algumas fotos, de tão disseminadas, já são familiares ao público.

A mostra também conta com desenhos, pinturas, filmes, rascunhos, cartas, livros, catálogos, jornais e revistas. Mostrar que Cartier-Bresson teve diferentes momentos e passou por diversas mudanças parece ser um dos objetivos da exposição, que termina no dia 9 de junho e depois segue para Madri e outras capitais europeias. O evento é uma aula sobre o século que se foi: reúne imagens da Segunda Guerra Mundial, da descolonização da África francesa, dos movimentos estudantis na França de maio de 1968, da Guerra Fria, entre outras passagens históricas.

A primeira parte da exposição, que cobre o período de 1926 a 1935, deixa clara a ligação do fotógrafo com André Breton e outros artistas do Surrealismo, além de suas viagens pela Europa, África, México e Estados Unidos. Exibe também a descoberta da fotografia. Cartier-Bresson contava que tudo começou quando viu uma imagem do húngaro Martin Munkacsi, publicada na revista "Photographies", em 1931. A foto eternizou o instante em que três rapazes negros corriam nus (e contra a luz), em direção ao mar. A partir de então, ele nunca mais se separou da sua Leica 35mm.

Na segunda seção da mostra, de 1936 a 1946, fica evidente a atuação política de Cartier-Bresson: seu engajamento contra o fascismo, sua participação como colaborador em jornais e revistas e sua atuação na Resistência Francesa contra os nazistas. Ele percorreu África, Europa, México e Estados Unidos. Nessas andanças, firmou sua rejeição aos regimes fascistas em construção na Europa - Mussolini, Hitler e Franco. Durante a Segunda Guerra, ele alistou-se no exército francês e acabou preso pelas tropas nazistas. Conseguiu fugir e fez uma extensa cobertura sobre o conflito.

O terceiro núcleo da exposição vai do fim da guerra até a década de 1970, quando ele abandona a função de repórter fotográfico para se dedicar a outras das suas grandes paixões, o desenho e a pintura. Nesse meio tempo, em 1947, Cartier-Bresson fundou a agência de fotógrafos Magnum, junto com Robert Capa, Bill Vandivert, George Rodger e David Seymour. Trabalhou sob encomenda para revistas, como "Life", "Vogue" e "Harper's Bazaar" e viajou por mais de 20 países.

Uma grande angular sobre vários talentos

Em suas entrevistas, a obsessão do fotógrafo pelas imagens ficava clara em frases célebres. Ele costumava dizer: "Fotografar é encontrar o momento decisivo, é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coraçao." Cartier-Bresson nasceu em 22 de agosto de 1908 em Chantelou-en-Brie (Seine-et-Marne),na França, e morreu no dia 2 de agosto de 2004, em Montjustin, aos 95 anos. Só que Cartier-Bresson foi muito mais do que fotógrafo. Foi também cineasta, ator, editor, diretor de documentários, desenhista e pintor. Além de mostrar a paixão de Cartier pela fotografia, a mostra exibe exemplos desses seus outros talentos.

Cartier, que era filho de um grande industrial, ganhou reconhecimento internacional pela força das imagens de conflitos de guerra e fotos que remetiam a temas sociais e políticos. Na Índia, fotografou Gandhi pouco antes do líder morrer. Na China, ele viu a chegada dos comunistas ao poder. Também cobriu o processo de independência das colônias francesas na África, os movimentos estudantis na França de maio de 1968 e a Guerra Fria. Mas também encontrava poesia em momentos banais do dia a dia, como na foto de um homem saltando no ar, na estação Saint Lazare.

Cartier-Bresson usava um equipamento básico em suas andanças: duas máquinas Leicas, três lentes (35 mm, 50 mm e 135 mm), visores, dois fotômetros e um disparador de flash. Levava ainda uma câmera de formato médio para as fotos coloridas. Mas sua praia era mesmo a fotografia em preto e branco. Era educado, sempre encantador e inteligente. Cartier-Bresson estava sempre interessado nas histórias pessoais e na cultura da pessoas que encontrava, de camponeses a monarcas. Foi hábil também em fazer contatos. Não gostava do conceito de "inventor do fotojornalismo". Preferia ser chamado somente de fotógrafo. Dizia que apenas produzia imagens em sua mais pura essência.

A exposição é resultado de uma parceria inédita entre o Pompidou, a Fundação Henri Cartier-Bresson - criada pelo próprio fotógrafo em 2003, com a ajuda da única filha, Mélanie, e da mulher, Martine Franck, -, a agência Magnum Photos e o jornal "Le Monde". Na verdade, tanta informação e tantas imagens fazem com que o visitante saia da mostra no Pompidou como se tivesse convivido com o Henri Cartier-Bresson.

Fonte: Jornal O Globo de 26 de abril de 2014, Caderno Ela, p. 6-7.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Imagem do dia: um mix entre o milenar e o moderno

Móveis são criados a partir de troncos antigos de oliveira, unidos a estruturas metálicas de cores vivas

O GLOBO (Email)
Publicado:
Atualizado:

Mesa da coleção Millennial Console, do designer espanhol Maximo Riera  
Divulgação 
 
Para criar a coleção de mesas Millennial Console, o designer espanhol Maximo Riera lança mão de um longo processo: até que as toras de oliveira, uma madeira milenar — daí o nome do conjunto de móveis — estejam prontas para serem trabalhadas, é necessário cerca de um ano de tratamento. Quando recolhidas da natureza, elas não mostram seus três tons típicos, devido aos resíduos de seu óleo natural que permanecem nas peças. O próximo passo é retirar a casca com banhos especiais, tratá-la quimicamente e polir a superfície para que as três tonalidades naturais desse tipo de madeira fiquem visíveis.

O formato de cada pedaço de madeira, então, é estudado minuciosamente para que seja criada uma estrutura metálica que será ligado a ele, e que deve evidenciar suas formas e cores. Em contraste aos tons terrosos da matéria orgânica, o artista recobre a estrutura de metal com cores vivas, num casamento perfeito entre o rústico e o moderno.

Fonte: Jornal O Globo.
© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Os brutos também decoram

Pedra e concreto passam a ser usados como base para móveis e objetos decorativos

Karine Tavares (Email)
Publicado:






RIO - No auge do modernismo, lá pelas décadas de 1950 e 1960, o concreto aparente marcou a arquitetura nacional em obras impactantes até hoje. Nos últimos anos, essa estética, um tanto crua, de materiais como a pedra, o cimento, o concreto já vinham sendo usadas também no design de interiores, mas quase sempre em revestimentos de piso e parede. Agora, nossos designers vem usando esses materiais para criar móveis e objetos decorativos.
Apesar do aspecto um tanto bruto à primeira vista, as peças são quase sempre minimalistas e, como seus tons são neutros, acabam admitindo uma combinação com vários outros estilos.

— É preciso analisar as formas de cada peça. No geral, elas são rudes, mas polidas; pesadas, mas neutras. Então, acabam ficando bem com móveis em outros estilos e cores — avalia o arquiteto Avner Posner, do escritório de arquitetura Bianca da Hora.

No Salão do Móvel de Milão, que terminou no último domingo, o escritório italiano Lucidi & Pevere lançou o banco-lareira “Piro”, produzido em pedra e aço. Mas, antes disso, nomes nacionais já vinham lançando luminárias, mesas laterais e de jantar, poltronas, sofás.

INTERESSANTE MISTURA DE MATERIAIS

No fim do mês passado, por exemplo, o moderninho LZ Studio fez um evento para lançar duas novas linhas: a Concreta, de luminárias criadas pelo designer e iluminador Maneco Quinderé, e a de tecidos do Surface Project, de André Carvalhal e Gabriel Oliveira. A dupla criou doze estampas divididas em quatro grupos: mar, madeira, vegetação e... concreto, claro. Os tecidos podem ser usados para estofar móveis ou revestir paredes. Já as luminárias de Quinderé vêm em seis modelos diferentes, sempre com a cúpula feita com um tipo de concreto mais leve que o usado na construção e outros materiais, como no caso do “Pendente Leve”, em que há o uso de aço galvanizado.

— Acho que essa mistura faz com que as peças fiquem mais versáteis. Há quem tenha comprado para usar na sala de jantar, na cozinha, no espaço gourmet e até exposta ao tempo — conta ele, lembrando que apenas as arandelas podem ficar em áreas externas sem cobertura.

O interessante dessas peças, aliás, é justamente a mistura de materiais. Na Velha Bahia, as luminárias com base em concreto tem hastes de cobre. E há mesas que misturam o concreto com a madeira. É o caso da “Lloyd”, dos designers Flavio Borsato e Maurício Lamosa e da “Cone”, do arquiteto Alfio Lisi, que investe em peças com concreto desde 2012. A primeira foi a luminária “Concreta”, à venda na paulista Dpot. Depois, veio uma série de mesas. Em algumas delas, Lisi optou por usar a madeira teka, o que permite que as peças fiquem expostas em áreas externas.

— O concreto é um material fantástico, com o qual trabalho muito na construção. Quis trazer também para o meu trabalho de designer e achei bom fazer essa mistura do bruto com a madeira, que é mais bem acabada — conta Lisi.

E com um detalhe importante. As peças não são maciças, o que as tornaria quase impossíveis de serem carregadas. Mas tem uma espessura suficiente para dar estabilidade aos móveis.

O mesmo acontece com as peças em pedra. O material foi o eleito do designer Marcus Ferreira que criou uma linha de móveis feitos com lâmina de pedra. São sofás, poltronas e mesas laterais, que aqui no Rio, estão à venda na loja Arquivo Contemporâneo. Já a Finish investiu no aparador “Masky”. Embora seja todo de madeira, a peça ganhou acabamento que imita pedra e vem em duas versões: aparador e bar.

Fonte: Jornal O Globo.
© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

A estreia de Pierre Cardin no design de móveis e outros destaques do Salão de Milão

Sofá de plástico assinado por Philippe Starck é outra novidade do tradicional evento 

Fernanda Massarotto
Publicado:
Atualizado:

 

O aparador desenhado pelo estilista Pierre Cardin
DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO

MILÃO — Aos 92 anos, Pierre Cardin debutou. Não na moda, mas no design internacional. Sempre ao lado do sobrinho-neto Rodrigo Basilicati, que é engenheiro e escultor, o estilista mostrou no Salão do Móvel de Milão que sabe desenhar móveis. Formas geométricas — comuns em suas roupas — foram parar em aparadores e cômodas de madeira laqueada. A maratona de novidades do evento fez a cidade ferver e as ruas ficarem lotadas de gente bonita, circulando entre os mais de 300 eventos paralelos.

Os designers apostaram no artesanato e na tecnologia. Houve também um toque nostálgico no ar. O italiano Jacopo Foggini, conhecido por suas instalações exuberantes e artísticas, criou a cadeira Gina para a sempre revolucionária Edra.

— É um produto artesanal, com todas as peças feitas à mão. As pernas da cadeira são bem anos 50, enquanto o encosto e o assento são feitos inteiramente de policarbonato — explica Jacopo.

A aposta no plástico ainda é a marca registrada da Kartell, que, mais uma vez, traz a genialidade do francês Philippe Starck. Ele mostrou o sofá “Uncle Jack”, com seus quase dois metros de largura e 30 quilos. Tudo realizado em um único molde. Além dos móveis, a Kartell, depois de 40 anos, voltou a produzir pratos, talheres e copos, agora assinados pelo chef milanês Davide Oldani e pela incansável arquiteta Patricia Urquiola. Princesa absoluta no mundo do design feminino, a espanhola, durante a semana do Salão, não para um minuto. Ela empresta sua criatividade a 18 empresas.

— Esse é o momento mais importante para nós designers. É o nosso ano-novo. Nos preparamos o ano inteiro para apresentar nossos produtos — explica Patricia, sentada no sofá Husk, da B&B.

Acolhedora e confortável, a peça faz parte da família Husk, que já contava com uma poltrona e uma cabeceira de cama.

— Design é criar e recriar. Acho que revisitar e conceber novas versões é apostar no que é bom. E melhorar ainda mais — completa a arquiteta.

NOVOS TALENTOS

A durabilidade — conceito muito abordado no design contemporâneo — foi a palavra de ordem entre as principais empresas do setor. A italiana Moroso há anos se destaca por suas peças artesanais e supertecnológicas. O designer britânico Ross Lovegrove, que realiza suas criações só no computador, por exemplo, levou dois anos para conceber a poltrona Diatom, totalmente em alumínio. Uma verdadeira equação matemática. Até alcançar o molde, ele precisou realizar diversas provas. O resultado é uma verdadeira obra de arte.

O salão acolhe também profissionais emergentes. Mas o talento é indispensável e um pouco de sorte também. Que o diga o designer industrial Tomek Rygalik, que teve como mentor o artista israelense Ron Arad que o apresentou a Patrizia Moroso há seis anos. Amante das tradições de seu país e do uso da madeira, o polonês apresenta pela primeira vez suas criações como a poltrona Dumbo, pela Moroso. Com sua presença mastodôntica, a peça se revela um típico trono.

— Um bom design se reconhece pela sua funcionalidade e pelo seu conceito duradouro. Pode ser bonito mas também tem de ser atemporal — reflete Tomek, um dos expoentes do design do Leste Europeu.

© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Porta-copos ou pão de fôrma?

Designer brasileira cria nova cara para peça, feita de cortiça



Calma, não é para comer!
Foto: Reprodução da internet

Calma, não é para comer!  
Reprodução da internet
RIO — Comece bem o seu dia com um pouco de humor, usando este porta-copos em formato de pão de forma integral. O “Toast-its” é criação da designer brasileira Patrícia Naves, do estúdio Oiti, e feito com o mesmo material de rolhas de garrafa. O pacote, que também tem o formato tradicional de uma embalagem de pão, vem com oito peças. Uma delícia para se ter no café da manhã — no sentido de criatividade e não de sabor, claro!

Fonte: Jornal O Globo
© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Agora tudo são flores


Fonte: Revista O Globo (Jornal O Globo) - 06/04/2014.

Mostra na Itália homenageia René Gruau, criador de ilustrações da Dior, morto há 10 anos





Fonte: Jornal O Globo - 05/04/2014 - Caderno Ela.

O dia a dia da cidade como fonte de inspiração

Design Rio
Paula Autran, Simone Candida e Ludmilla de Lima
granderio@oglobo.com.br

Celso Santos, como bom carioca, acredita que o melhor ponto da cidade para montar um escritório é a praia. E foi justamente nas areias da orla da Zona Sul — ao observar banhistas praticando esportes ou deitados à sombra de uma barraca — que ele teve inspiração para dois de seus projetos de design mais badalados: um guarda-sol que abre invertido e uma raquete de frescobol mais colorida e leve, feita de plástico e borracha injetada — criações que são a tradução máxima de uma carioquice que ele vem imprimindo em boa parte de seus produtos nos últimos 30 anos de trabalho.
Cores vibrantes: Celso Santos criou novas raquetes de frescobol e já pensa em outros produtos para o lazer na praia Foto: Camila Maia / O Globo


















Cores vibrantes: Celso Santos criou novas raquetes de frescobol e já pensa em outros produtos para o lazer na praia
Camila Maia / O Globo


Formado pela Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) nos anos 1970, Celso é o tipo de designer que nunca ficou preso às especificações técnicas de sua função. Para criar um objeto, ele dá uma de antropólogo, de gerente de produtos, ou de engenheiro.


Veja também:

— Muitas das minhas melhores ideias eu tive observando o uso de alguns produtos que já existiam. A essência do design é esta: identificar os problemas e depois repensar o produto. Você pode tanto fazer um redesenho como fazer tudo do zero — ensina Celso Santos, que já criou de cadeiras de rodas a projeto de carro elétrico.
Celso conta que quase virou engenheiro, mas foi fisgado pelo design depois de ir a uma exposição no Museu de Arte Moderna (MAM) sobre a Bauhaus.
— Quando fui fazer vestibular, eu queria engenharia. Mas vi a exposição e fiquei enlouquecido com a Bauhaus. Ela lançou as bases da arquitetura moderna, do design. Fiquei encantando com este conceito de produção em série de produtos de qualidade, que é a essência do design industrial moderno — conta Celso, que começou a carreira como designer de uma empresa que produzia louças, torneiras e produtos para banheiros e, até 1998, teve uma carreira atrelada ao universo da produção fabril.

Quando trabalhava para a Aladdin, nos anos 1980, ele não se conformava com o formato quadradão dos garrafões térmicos vendidos pela concorrência, que esbarravam nas pernas de quem os carregava. Desenhou, então, um garrafão de linhas arredondadas, com emenda escondida no fundo. E conquistou não apenas o mercado, mas um prêmio Aloísio Magalhães de melhor produto nacional na categoria utilidades domésticas.

Com o guarda-sol Spirit, lançado em 2006 em parceria com o sócio Christian Albanesi, o processo etnográfico de trabalho foi parecido. A típica cena carioca de banhistas correndo atrás de barracas “voadoras” em dias de vento nas praias inspirou uma solução prática e divertida: um guarda-sol com cabo que lembra um saca-rolha, que permite cavar a areia com mais facilidade e dá mais estabilidade à peça, resistindo às rajadas de vento.

— Lançamos dois modelos, que a gente vê nas praias até hoje: um tradicional e outro virado para cima. Ele tinha ainda um compartimento interno, com espaço para guardar chaves, carteira e camisa. Este guarda-sol, que vamos voltar a produzir com algumas adaptações, recebeu dois prêmios internacionais de design, o IF Design e o Red Dot — conta Celso Santos, que anuncia uma retomada do foco “praiano” de sua empresa, a Rio 21 Design.

Além da raquete de plástico (produzida com verba obtida num edital da Faperj, da Firjan e do Sebrae, e lançada este mês com exclusividade nas lojas Novo Desenho), o escritório Rio 21 Design já sonha com um novo modelo de cadeira de praia.
— A raquete é produzida numa fábrica em Campo Grande. Nós mesmos fizemos as ferramentas e cuidamos de todo o processo. Na de madeira, a bola bate e escapa. Nesta, de plástico e borracha, o jogador tem mais controle da bolinha — explica Celso, que é professor de design da PUC-Rio.
Em maio, ele estará às voltas com outro projeto voltado para o universo carioca, feito com apoio do Núcleo de Experimentação Tridimensional da PUC: o escaneamento da estátua do Cristo Redentor. Técnicos da empresa Drone Adventures vão tocar a empreitada e, a partir de fotos, escanear o ponto turístico, com o objetivo de criar suvenires que serão réplicas perfeitas do monumento.


© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.