segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Exposição "Design de Rua"


Quem nunca chamou de "gambiarra" o suporte criado pelos vendedores de bala nos ônibus, a estufa adaptada pelos que oferecem queijo coalho na praia ou as caixas cheias de macetes dos engraxates? Pois tais objetos são uma amostra rica do "design de rua", e revelam bastante do estilo de vida dos artesãos sem grife que povoam as esquinas. Alguns deles foram recolhidos pelo curados Marco Antônio Teobaldo para a exposição "Design de Rua", que está aberta até o dia 30 de novembro na Galeria Pretos Novos

O espaço fica na Rua Pedro Ernesto 32, na Gamboa. 
De terça-feira a sábado, das 13h às 18h.

Fonte: Revista O Globo

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Arte para teatro, cinema e até bar

Em casa. Os sócios Olivia Ferreira e Pedro Garavaglia no jardim do Radiográfico Paula Giolito / Paula Giolito

 As paredes do estúdio Radiográfico não deixam dúvidas: seus criadores não dão a mínima para aquele papo que questiona se design pode ser arte também. Grafismos, experimentações e um grande painel de linhas feitas com fita crepe dão sinais de que ali trabalham designers que vivem em paz sem fronteiras, não só com as artes plásticas, mas com toda forma de cultura. Do escritório criado por Olivia Ferreira e Pedro Garavaglia em 2004 saem projetos para teatro, cinema, televisão, moda e o mercado editorial, com a assumida busca por um resultado autoral, uma assinatura, digamos, radiográfica.
O nome do estúdio foi sugestão da estilista Luiza Marcier, para quem já fizeram alguns trabalhos. E, no espírito conceitual que marca muitos dos processos criativos da dupla, eles logo gostaram da ideia de “ver através” trazida pelo nome. Colegas de faculdade na PUC-Rio, mas amigos desde antes da graduação, Pedro e Olivia começaram a parceria concebendo o livro “Rio Ateliê”, em que apresentam as impressões das visitas a 83 ateliês de artistas cariocas. Com a verba de um edital de incentivo à cultura, dedicaram um ano ao projeto e, em 2004, lançaram a publicação.
— Vendo o processo dos artistas, fomos reformulando nosso olhar. Na época, eu estava descobrindo que o design gráfico era mais que layout — diz Olivia.
Entre as referências da dupla, estão o designer austríaco Stefan Sagmeister e os escritórios Hort (alemão) e MM Paris (francês), todos com uma proposta de trabalho autoral. Para Pedro, eles fazem projetos comerciais com uma linguagem muito particular. É nessa busca que, em cada projeto, a dupla estabelece um conceito como ponto de partida para vários experimentos.
— Esse processo, bem artístico, busca reforçar o conceito. E o resultado do projeto é fruto desse esforço — conta Olivia.
O Radiográfico começou funcionando na casa de Olivia, depois num imóvel em Copacabana e hoje está na Rua Capitão Salomão, no Humaitá, bem ao lado do Meza Bar — aliás cliente da dupla. Os cardápios e jogo americano da casa foram criados no estúdio. A vizinhança com o bar, às vezes, contamina o Radiográfico, que faz noites de happy hour e jazz, em datas aleatórias e não divulgadas. Nelas também não falta o toque experimental: um bar construído no estúdio exibe os preços das bebidas e tem um sistema baseado na confiança para coletar o dinheiro do público.
— Nunca teve calote — garante Olivia.
Dentro da ideia de colocar no site do Radiográfico algumas experiências visuais que ficaram pelo caminho, até o making of da construção do bar foi parar na seção “Laboratório” (radiografico.com.br/labs). Mesmo destino teve uma brincadeira em vídeo com as palavras em inglês “on” e “no” (exibidas na placa com Olivia e Pedro na foto superior). Essa disposição para experimentar é especialmente exercitada nos trabalhos para o teatro. Muitas montagens de sucesso na cidade nos últimos anos e algumas por estrear, como “Venus”, dirigida por Hector Babenco, têm projeto gráfico de Pedro e Olivia, do cartaz ao programa. Numa delas, “Philodendrus”, com direção de Cristina Moura, a brincadeira foi além, e eles criaram o primeiro cenário.
— O processo da Cris é muito aberto. Um dia fomos buscar referências para o cenário na Saara e chegamos no ensaio com uma cabeça de planta, que logo foi incorporada — diz Pedro. — O mais legal é que a parte gráfica vira mais uma camada da obra, e não necessariamente uma ilustração dela.
A entrada no universo teatral começou com o monólogo “Regurgitofagia”, do ator e autor Michel Melamed, de quem se tornaram parceiros constantes. Depois do trabalho no festival Riocenacontemporanea, foi uma peça atrás da outra. No cinema, dois filmes que ainda serão lançados têm identidade visual, abertura e cartaz criados pelo Radiográfico: “Exilados do vulcão”, de Paula Gaitán, e “Educação sentimental”, de Julio Bressane.
Mas não é só por meio do vasto repertório de cartazes que o Radiográfico vai parar nas ruas. Na última quinta-feira, uma instalação com colchões criada pela dupla a pedido da Anistia Internacional ocupou a Cinelândia com mensagens contra as remoções forçadas de moradores no Rio.
Outra parte da produção do estúdio é feita em vídeo. Um desses projetos, para a série “Mojubá”, sobre a cultura banto, do canal Futura, foi premiado na Bienal de Design Gráfico deste ano, na categoria digital/motion graphics. Já para o programa “Tem criança na cozinha”, do canal Gloob, eles produzem os vídeos que explicam as receitas culinárias. No processo, criaram vários truques para fazer os ingredientes encherem potes magicamente ou se partirem ao meio. Tudo muito detalhista, característica, aliás, que Olivia entregou logo ao posar para as fotos da matéria: a plantinha na letra “O” foi toque da designer.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Prêmio Brasil Digital – BRIO 2013


O Brasil é um grande mercado produtor e consumidor de projetos voltados para as mídias digitais. A economia criativa e o mundo corporativo mobilizam esforços e recursos significativos na elaboração de websites, portais, aplicativos, publicações digitais, exposições interativas, games, enfim, ações que se propagam pelo meio digital ou que se utilizam cada vez mais dos conceitos e experiências que vivenciamos em nossos computadores, telefones e tablets. As muitas agências digitais, espalhadas por todo o brasil, faturaram mais de 2,2 bilhões de reais só em 2012.
Embora possamos encontrar várias iniciativas similares no exterior, o brasil carece de uma premiação que reconheça e promova a produção de projetos para mídias digitais de excelência. Algo que sirva como parâmetro tanto para aqueles que produzem como para aqueles que contratam estes serviços. O Prêmio Brasil Digital - BRIO vem preencher esta lacuna e pretende colaborar para posicionarmos o nosso país na vanguarda do desenvolvimento e do design para mídias digitais.
Os projetos podem ser inscritos nas categorias: websites, experimentos online, aplicativos móveis e publicações digitais. Receberão os selos e troféus do BRIO 2013 os melhores de cada categoria, além de menções honrosas por design e desenvolvimento. Com um corpo formado por experientes profissionais do mercado e contando com o apoio de empresas e instituições, o BRIO 2013 é uma iniciativa de grande valor para o mercado da economia criativa.

Inscrições até o dia 20 de outubro. Inscrição • Regulamento
Mais informações, no site.

FONTE: Design Brasil

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Os criadores da identidade visual de Harry Potter

 Foi no set do segundo filme de Harry Potter que uma união pra lá de bem sucedida se formou. Eduardo Lima e Miraphora Mina se juntaram para criar o universo de Harry Potter do ponto de vista gráfico, eles desenvolveram jornais, cartazes, capas de livros e vários produtos que nem sempre eram mostrados pela câmera. Da parceria entre os designers surgiu o estúdio Mina Lima, que também atende outros grandes clientes, como Warner Bros, Noble Collection, Harper Collins, Universal Studios Orlando, Hasbro, Chronicle Books e outros.
Os responsáveis pela criação de uma identidade visual icônica para o bruxo mais famoso do século 21, fizeram uma exposição chamada “The Graphic Art of the Harry Potter™ Films” que, infelizmente, já chegou ao fim. Os trabalhos foram expostos na Coningsby Gallery, em Londres, entre os dias 22 de junho e de 27 de junho. Pra quem não conseguiu visitar a galeria a tempo, é possível adquirir cópias de posters de produtos que fizeram parte da história do filme, como, por exemplo, o The Daily Prophet, o Marauder’s Map e os cartazes de propaganda do Ministro da Magia. Confira as imagens e o estilo único criado por Eduardo e Miraphora para os filmes:



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Nova face da arquitetura brasileira

Museu do chocolate em Caçapava: obra do escritório paulista Metro, que criou passarela e torre de vidro vermelho, mudou paisagem da Dutra Terceiro / Divulgação/ Leonardo Finotti

“Nove novos”. É assim que serão conhecidos nove escritórios de arquitetura de Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre em exposição na Alemanha. Aliada à Feira do Livro de Frankfurt, que este ano homenageia o Brasil, a mostra no Deutsches Architekturmuseum (DAM) tem como objetivo apresentar profissionais de até 40 anos que vêm deixando sua marca nos quatro cantos do país.
São residências, museus, prédios públicos e obras temporárias de uma geração disposta a inovar. Além de uma obra de maior destaque, que ganhará uma maquete, cada escritório vai exibir fotos e desenhos de outros de seus projetos. Os trabalhos ficarão expostos entre 19 de setembro e 19 de janeiro.
— Os nove não são os melhores da temporada. Mas têm uma obra representativa da arquitetura que vem sendo feita no Brasil — avalia Ricardo Ohtake, que assina a curadoria da mostra ao lado de Peter Schmal, diretor do DAM.
Para Ohtake, é uma arquitetura que ainda traz influências do modernismo, mas busca criar uma linguagem contemporânea, introduzindo elementos como transparência e leveza. É o que se vê, por exemplo, no pavilhão temporário que a carioca Carla Juaçaba fez para a exposição Humanidades, planejada por Bia Lessa e realizada no Forte de Copacabana durante a Rio +20. Com os mesmos andaimes de outros eventos, ela projetou uma construção translúcida, exposta a todas as condições do tempo: luz, calor, chuva e vento.
— Optamos pelos andaimes porque eles podem ser reutilizados e queríamos dar essa ideia de sustentabilidade. Mas não esperávamos tanta repercussão. Nem para a exposição, nem para a arquitetura — diz Carla, que em março ganhou o prêmio “arcVisoin – Women and Architecture Prize” pela obra.
O outro representante do Rio é o escritório Jacobsen Arquitetura, autor da famosa cobertura em formato de onda do MAR, o Museu de Arte do Rio, que terá fotos expostas. A maquete será a da Residência ML. Construída para os finais de semana de um casal e duas filhas, a casa tem as paredes externas, o piso e o teto forrados por painéis de madeira. Sobre uma estrutura elevada, ela é um grande quadrado cercado de verde que tem uma cobertura solta do volume dos cômodos e suspensa em pilares que percorrem suas laterais.
De São Paulo, são três representantes: Corsi Hirano, com a obra do Tribunal Regional do Trabalho de Goiânia; o Nitsche, que projetou um prédio de escritórios que une duas ruas em São Paulo; e o Metro, com seu Museu do Chocolate, da Nestlé, que transformou a paisagem da Avenida Dutra, em Caçapava, ao criar uma passarela e uma torre cobertas com vidro vermelho.
— Era para fazer um tratamento quase cenográfico do museu, mas para resolver a questão do fluxo, criamos uma estrutura que acabou se tornando marco do espaço — diz Martin Corullon, um dos sócios do escritório paulista.
Participam ainda os gaúchos do Studio Paralelo, que projetaram a sede do Crea, na Paraíba (foto na capa), coberta por brises horizontais; e os mineiros de três escritórios: o BCMF, que criou o Centro Nacional de Tiro Esportivo, em Deodoro; além dos Arquitetos Associados e do Rizoma, responsáveis por dois dos pavilhões do parque de Inhotim.


FONTE: Jornal O Globo

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Um concurso para redesenhar a cidade

Os estudantes da UFRJ que pensaram projetos para as quatro estações de trem, reunidos na Central do Brasil - Custodio Coimbra
Diariamente, em média 270 mil pessoas embarcam e desembarcam numa das 18 estações de trem que compõem o ramal de Deodoro. Elas circulam por um cenário nada inspirador: os terminais são desconfortáveis, os prédios da vizinhança são decadentes e a linha férrea é uma barreira a qualquer tentativa de integração entre os dois lados do bairro. Diante desse diagnóstico, estudantes universitários assumiram a tarefa de pensar soluções para melhorar o acesso, a estrutura e o desenho de pelo menos quatro dessas estações: Maracanã, Engenho de Dentro, Cascadura e Madureira. Desse desafio, surgiram os trabalhos que participam do concurso Projeto Carioca, que nesta primeira edição traz propostas de revitalização do entorno de estações ferroviárias na Zona Norte.
O concurso é uma das atrações da Semana de Design Rio, que será realizada pela primeira vez pelo GLOBO entre 23 e 27 de outubro, no Jockey Club. E, neste primeiro ano, os quatro projetos foram selecionados pelos professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UFRJ entre estudantes da graduação. A coordenação foi do presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Sérgio Magalhães, também professor da FAU-UFRJ, e das professoras Margareth Pereira, Patrícia Maya e Solange Carvalho, da mesma universidade.
Dentro do tema “O subúrbio nos trilhos”, cada turma debruçou-se sobre os problemas de uma estação. Para Cascadura, Leandro Ribas e Thaiza Senna pensaram numa nova ligação entre os dois lados da linha férrea, abolindo o viaduto e criando um mergulhão e duas passagens subterrâneas para pedestres.
— Já frequentava Cascadura, mas foi importante parar para refletir sobre a carência de intervenções e atratividades — diz Leandro.
No caso do Engenho de Dentro, André Vieira Godinho, Cássia Rodrigues e Silva e Diane Bianchi da Costa e Silva imaginaram a ocupação dos grandes vazios urbanos com residências, comércio e novas vias, além da revitalização dos galpões abandonados ao lado do Engenhão.
— Não faltam possibilidades de intervenção. É uma área muito rica para se trabalhar — comenta Diane.
O grupo que estudou Madureira, composto por Aline Morgado, Pedro Valcarce e Sabrina Fentanes, idealizou uma nova estação de trem, integrando o sistema BRT e o terminal rodoviário e, ainda, a criação de um calçadão verde até o Parque Madureira.
— Os pedestres têm dificuldade de circular pelo bairro, que tem várias barreiras, entre elas a faixa do trem — critica Sabrina.
Já Álvaro Braga, Carolina Thibau e Juliana Margato desenharam para o Maracanã uma estação intermodal, que conecta duas estações de trem à estação de metrô e amplia a ligação entre os dois lados da linha férrea. Projetaram, ainda, uma nova ocupação com moradias e áreas de lazer na antiga Favela do Metrô.
— Pudemos pensar questões mais amplas da cidade, especialmente habitação e transporte — afirmou Carolina.
Os projetos serão apresentados em detalhes a partir de domingo: em reportagens publicadas na coluna Design Rio, do GLOBO, e em sua versão on-line, que traz, além de reportagens, os blogs dos designers cariocas Ricardo Leite, Ricardo Saint-Clair e Daniel Kraichete. Para votar, basta entrar no endereço on-line (oglobo.com.br/rio/design-rio). Um júri de cinco especialistas também vai eleger a melhor ideia. Os vencedores (pelo voto popular e pela escolha dos jurados) serão conhecidos dia 23 de outubro, data da mesa-redonda sobre design e urbanismo da Semana de Design Rio.
A partir do próximo ano, o concurso Projeto Carioca será ampliado para quatro universidades do Rio: PUC, Uerj e UFF, além da UFRJ. A ideia é que a escolha dos projetos entre em sintonia com o calendário letivo das faculdades, permitindo aos estudantes aproveitar os trabalhos de fim de semestre no concurso promovido pelo GLOBO.

Uma semana dedicada ao design
Dos dias 23 a 27 de outubro, a cidade vai sediar a primeira Semana de Design Rio, evento que vai incentivar o carioca a discutir, pensar, estudar e admirar o design e as produções da indústria criativa no município. Durante cinco dias, o Jockey Club abrigará a exposição “Rio + Design”, que mostrará trabalhos de designers brasileiros com peças inéditas e terá uma extensa programação com palestras, estudos de caso e debates com alguns do principais nomes nacionais e internacionais da área.
Quem participar do encontro terá também a oportunidade de conhecer o que as empresas andam criando: no Jockey, serão montados estandes com demonstração de produtos feitos com novas tecnologias ou conteúdos interativos do universo do design. Outra grande atração ajudará cariocas e turistas a descobrirem o design escondido em cada esquina da cidade: um passeio num ônibus especial guiará o visitante por prédios, praças, monumentos e museus, em roteiros temáticos pelas ruas do Rio. Lojas e shoppings também promoverão ações especiais nesse período. Inspirada em grande feiras internacionais do gênero, a Semana de Design Rio, promovida pelo GLOBO, promete virar mais uma atração no calendário de eventos da cidade.


FONTE: Jornal O Globo

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Arquiteto japonês quer levar sua técnica para as favelas cariocas

Shigeru Ban, que trabalha em projeto com madeira cortada ilegalmente na Amazônia Marcos Tristão / O GLOBO 

As favelas do Rio estão na mira do arquiteto japonês Shigeru Ban, conhecido mundialmente por trabalhar com técnicas de construção de casas para vítimas de desastres, como o terremoto que atingiu o Japão em 2011. De passagem pela cidade — para discutir com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, detalhes de um projeto de uso de madeira cortada ilegalmente na Amazônia —, Ban faz planos de, no futuro, conhecer uma comunidade e estudar formas de construção adequadas para erguer casas para vítimas de enchentes.
— Fui convidado pela ministra para o projeto quando estive aqui para a Rio+20, e estou muito entusiasmado porque ele é desafiador. Vou trabalhar com materiais diferentes, para a construção de um centro de visitação na floresta que vai incrementar o ecoturismo. As árvores já estão cortadas, infelizmente. Mas é bom poder levá-las de volta à comunidade com alguma função — explica Ban, que tem projetos em áreas de desastres de Índia, Turquia, China, Haiti, Itália e Sri Lanka, a maior parte com estruturas de tubos de papel reciclado. — Não estou interessado em fazer prédios para ganhar dinheiro, mas em grandes desafios. E espero poder fazer algo no Rio também. Ninguém me convidou ainda. Mas eu gostaria de trabalhar com casas em favelas. Não sei se com papel reciclado. Preciso estudar a realidade do lugar. Desenvolvi outras estruturas que podem ser usadas, como sanduíches de poliuretano e espuma para isolar o calor.
Ban participa hoje de um debate no Museu de Arte do Rio (MAR) sobre planejamento urbano e soluções sustentáveis. Mas não gosta de ser considerado um arquiteto “sustentável”.
— Não estou pensando em soluções sustentáveis. Eu comecei a trabalhar com material reciclável em 1986, quando ninguém falava em reciclagem ou sustentabilidade. Estava apenas pensando em reaproveitar as coisas, não jogá-las fora. Não uso ecologia e sustentabilidade como estratégia. É a natureza do meu interesse. Muitos arquitetos, designers e empresas usam isso com objetivo comercial.
Da arquitetura brasileira, Ban conhece mais Oscar Niemeyer, que considera um líder. Mas acha que o país tem grande potencial e lembra que temos um ganhador do prêmio Pritzker, Paulo Mendes da Rocha. Perguntado sobre que grandes obras deveriam ser feitas para os Jogos de 2016, descarta grandes edifícios:
— O Rio tem que investir em infraestrutura e transporte. Não em edifícios monumentais que só vão ser usados uma vez, como a China fez para mostrar ao mundo do que era capaz.

FONTE:
 Jornal O Globo

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Marca brasileira lança primeiras sandálias biodegradáveis do mundo


Aliando moda e sustentabilidade, a marca Amazonas, conhecida pela produção de calçados, lançou uma linha de sandálias que se degradam no fim de cinco anos de uso. A grande inovação faz destas “as primeiras sandálias biodegradáveis do mundo”.
Bio Rubber é o nome da linha da Amazonas, que garante que o material usado na fabricação das sandálias não provoca qualquer tipo de contaminação na natureza, ao contrário da habitual borracha usada neste tipo de calçado. Extraído das seringueiras nativas da Amazônia, este látex se desintegra em um processo natural.
Preocupada em homenagear a cultura amazônica, a marca tenta promover uma forma de calçado sustentável e que apoie as comunidades locais, criando oportunidades de trabalho. Apesar de tudo, a ideia é não descurar o conforto e a praticidade deste calçado tão popular.

Visite o site da Amazonas para conhecer estes e outros modelos, como mostra o vídeo abaixo.



FONTE: Hypeness

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Joias do art déco no burburinho de Copacabana

A entrada do Edifício Itahy na Av. Nossa Senhora de Copacabana 252: símbolo da influência nativista sobre o art déco brasileiro Fabio Rossi / O Globo
Num tempo em que muitos cariocas estranhavam a ideia de viver uns sobre os outros, erguer prédios residenciais na Copacabana dos anos 20 e 30 era sinônimo do desafio de criar ambientes que lembrassem a vida nos casarões do bairro — tanto em beleza quanto em espaço. Desse esforço, traduzido em entradas sofisticadas e amplas, materiais nobres e rico design de interiores, nasceram três joias art déco do bairro, os edifícios Itahy, Itaoca e Guahy, parte da Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) do Lido desde 1992. Em mais de 80 anos de existência, os prédios conservam diversas marcas inconfundíveis do estilo que os ajudou a conquistar moradores e ainda causa orgulho entre seus ocupantes. Mas também sofrem com descaracterizações que vão do fechamento de varandas ao uso de tapetes cobrindo seus maravilhosos.

Nessa vida de contradições, o cenário bucólico dos anos 30 deu lugar a um bairro de paredões de prédios. Ainda assim, em sua principal avenida, a Nossa Senhora de Copacabana, o número 252 sobressai em meio ao caos urbano: a entrada do Itahy, construído em 1932, impressiona desde o primeiro momento: sua pesada porta de ferro com motivos de algas e duas tartarugas é guardada por uma sereia índia, num dos mais emblemáticos exemplos da influência nativista sobre o art déco brasileiro. Completado por uma moldura de majólica verde — cerâmica esmaltada comum nos prédios do estilo — o acesso revela depois a portaria que figura facilmente entre as mais belas do gênero: o mosaico em tons de azul e verde simulando ondas do mar no chão, que parece se movimentar, tem a bossa de um singelo peixe que recebe o visitante. Depois da escada, porém, uma passadeira verde encobre grande parte do mosaico. Bancos de granito preto, dois murais com motivos marinhos e os belos corrimãos da escada, com gradis trabalhados, disputam a atenção de quem chega.



Fachadas perderam jogo de cheios e vazios
Para Márcio Roiter, fundador e presidente do Instituto Art Déco Brasil, o Itahy é um herói da resistência, principalmente por não ceder às pressões de se fechar ao mundo com grades, ofuscando sua entrada.
— Se o síndico algum dia colocar grades, vou chorar lágrimas de crocodilo, que é um bicho bem nativista — diz Márcio, aos risos. — Aquela sereia é espetacular. Mesmo sendo modernérrima, ela vem da tradição das cariátides gregas que seguravam as construções. A movimentação que começa na cerâmica fazendo curvas chega até ela, que é o eixo do prédio.
A fachada desenhada pelo arquiteto Arnaldo Gladosch, porém, já perdeu muito do seu brilho. Nos oito andares com dois apartamentos cada, um jogo de cheios e vazios era construído pelas varandas e as chamadas “bow windows”, janelas em forma arredondada nos cantos do prédio. Com o fechamento das varandas embutidas, não se vê mais um dos lados das janelas e o resultado foi uma superfície chapada, cheia de esquadrias de alumínio.
— Esses vazios têm importância arquitetônica porque criam uma volumetria específica. E, além do sentido estético, existe a questão da ventilação. O prédio também já perdeu muitas das venezianas originais (aquelas brancas que se abrem para fora dos prédios numa linha diagonal), que ganharam o nome de Copacabana pelo uso massivo no bairro — explica o arquiteto Renato da Gama-Rosa Costa, pesquisador da arquitetura do Rio e do art déco, que também aponta a descaracterização do topo do edifício. — O nono andar perdeu uma bow window e nivelaram o recuo do último pavimento. O acabamento escalonando os pavimentos, que se chama zigurate, é típico do art déco. Pegaram emprestado das pirâmides astecas.
“Coroando” as mudanças, o topo do Itahy foi coberto com telhas de amianto, uma aberração, para Costa. O elevador de madeira, como aconteceu no Itaoca e no Guahy, foi substituído por uma fria versão de inox, igual ao de qualquer outro prédio. Mas as versões originais dos elevadores, em materiais como jacarandá, embora requintadas, não causavam grande entusiamo entre os primeiros moradores dos grandes edifícios. O receio de usar o elevador e o costume de separar a circulação de patrões e empregados gerou no Itahy a coexistência de duas escadas. Na social, o vão central acomoda uma estrutura circular que segura as luminárias (originais) de cada hall.
— A escada social é uma herança das casas e do medo que as pessoas tinham de elevador. Para ser bem sucedidos, os prédios tinham que ter algo de casa — explica Roiter.

Arquiteto do Itaoca projetou a Central do Brasil
No prédio vizinho, o imponente Itaoca, na esquina com a Rua Duvivier, essa premissa foi levada bem a sério: as áreas de serviço dos apartamentos, nos fundos do edifício, são abertas, lembrando a ideia de um quintal e formando uma espécie de corredor de circulação comum aos moradores. São 48 unidades, com tamanhos variando entre 100 m² e 200 m². O último andar abriga uma peculiaridade: 52 quartos para empregados — um para cada apartamento, mais quatro para uso do edifício. A fachada bem conservada do prédio contrasta com o mau estado dessas áreas. Para Roiter, a maior parte dos edifícios art déco do Rio precisa de reformas.
Quem chega ao Itaoca é recebido pelo muiraquitã, um talismã amazonense, que se repete ao longo da fachada, em mais um exemplo da incorporação do repertório nativista brasileiro pelo art déco, estilo surgido na Europa e difundido a partir dos anos 20 nas Américas. Linhas horizontais nos volumes salientes são marcas do edifício erguido em 1928, com projeto de Anton Floderer e Robert Prentice, sendo o segundo um dos criadores do prédio da Central do Brasil. Como no Itahy, a maior parte das varandas embutidas do Itaoca foi fechada com janelas. Lá embaixo, o pórtico de entrada, forma um belo conjunto com o gradil de motivos marajoaras (relativo à Ilha de Marajó, no Pará). Sobre ele, paira uma grande marquise, que o arquiteto Renato Costa classifica como uma ousadia estrutural para a época, por cobrir um extenso vão.
— Itahy e Itaoca conjugam uma entrada totalmente nativista, um art déco genuinamente nacional, com arquitetura moderna dos anos 30 de uma vertente aerodinâmica, ou streamline para ficar pedante, que remete à velocidade do avião, da locomotiva — resume o presidente do Instituto Art Déco Brasil.
No Itaoca há 60 anos, a ex-síndica Márcia Bruce é fã do prédio e atenta a detalhes como o tom dourado original das pastilhas que formam o mosaico das paredes e do chão da portaria.
— Mandei repintar as pastilhas algumas vezes. O elevador original era um escândalo, de madeira, com porta de correr. O mostrador tinha a forma de uma meia lua. Quando modernizaram, trocaram os cinco elevadores. Uma pena — relembra Márcia, que também guarda histórias sobre os antigos moradores do Itaoca. — Por muito tempo, foi um prédio totalmente europeu. Meu avô, que comprou o 506 em 1929, era austríaco e minha avó era escocesa. Muitos moradores vieram para cá fugindo da guerra.
No vizinho Itaoca, outra moradora de longa data, Isar Willemsens, que chegou em 1953, lembra das festas requintadas promovidas no prédio, segundo ela, “chiquérrimo” naqueles tempos:
— Era um dos prédios mais elegantes do Rio. Minha tia, Ângela Belford Roxo, dava muitas festas aqui. Havia famílias importantes, como os Bocaiúva e os Sunt, donos da boutique Mayfair. Hoje só tem emergente.

Guahy foi tombado em 1990
No quesito memória, outra joia do art déco do Lido, o edifício Guahy, construído em 1932, fica um pouco atrás. O mais antigo morador hoje no prédio, o síndico Moisés Rodrigues da Silva, está lá há apenas 17 anos. Isso porque ele ficou anos abandonado e quase foi demolido. Um decreto de tombamento em 1990 salvou um dos mais belos exemplares do estilo na cidade, que foi totalmente reformado nessa década. Depois de quase três anos de obras, ele foi, finalmente, ocupado por novos moradores. Na época, o preço médio de venda de cada uma das 15 unidades foi de cerca de R$ 100 mil. Hoje, um imóvel no Guahy não sai por menos de R$ 1 milhão.
Bem menor que os vizinhos Itahy e Itaoca, com apenas quatro andares, o Guahy impressiona pelo jogo geométrico de linhas horizontais e verticais que saltam do prédio. Enquanto no Itaoca o visitante é recebido pelo muiraquitã, no Guahy, a entrada evoca um cocar indígena. Exemplos do diálogo da temática decorativa art déco com a cultura nacional, claro até no nome dos edifícios. No caso do Guahy, no entanto, a referência sugerida pelo cocar não é explícita, como lembra Roiter. Para ele, o Guahy, criado por Ricardo Buffa em 1932, é o mais streamline dos três.

FONTE: Jornal O Globo

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Novo olhar em ouro e prata

A linha de anéis, criada por Felipe Patusco, inspirada em padronagem de tecidos Fabio Seixo / Agência O Globo

Felipe Patusco estava dia desses andando pela rua e, ao olhar um trator passando, enxergou beleza nas ranhuras do pneu do veículo. Sacou do bolso um caderninho em que costuma rabiscar ideias e — desenho vai, desenho vem — rascunhou um anel para homens. Nascia ali, da observação de uma antiquíssima peça de design do universo automobilístico, a linha de anéis Tires, sucesso de vendas do designer carioca. Com Lívia Canuto, o insight para sua joia mais conhecida surgiu do convite para uma exposição: chamada para participar de uma mostra sobre botequins da cidade, ela se lembrou da figura de Chico das Rosas, o lendário vendedor de flores que circulava por bares da Zona Sul. Criou, então, o brinco Rosa, peça de prata que parece uma pequena escultura flutuando na orelha. Já Vanessa Robert usou uma boa dose de humor para pensar no anel Upgrade: um cristal lapidado em forma de lente de aumento potencializa o tamanho de um pequeno diamante, uma brincadeira com as mocinhas casadouras, que dão muito valor ao quilate da pedra do anel de noivado.

— Antes de pensar na forma da peça, pensei num conceito. Queria uma pegada mais intrigante. A lente faria um diamante pequeno parecer maior — conta Vanessa, cujo projeto recebeu um dos mais importantes prêmios internacionais de design, o Red Dot Design Awards, em 2011.
Com processos de criação e estilos nada parecidos, os designers Felipe, Lívia e Vanessa fazem parte de uma nova geração de profissionais que cria joias: graduados em desenho industrial, eles desenham as peças, pesquisam materiais e colocam a mão na massa. Todos sabem manejar os instrumentos da bancada (onde as peças são cortadas, fundidas e lixadas) e não lembram em nada a antiga imagem de joalheiro dos tempos da vovó.

Com um pé na escultura e outro no design de produtos, Lívia Canuto, de 35 anos, descobriu com as joias um jeito de mesclar as duas aptidões. Mas precisou de um tempo estudando e visitando galerias na Europa para descobrir que rumo seguiria.
— Sempre amei escultura, tanto que cheguei a cursar a Faculdade de Belas Artes da UFRJ. E, por isso, quis fazer algo mais autoral, como se vê fora do país, com joias feitas em gelo, papel e outros materiais além do metal. Aqui ainda acham que joia é só ouro, rubi e safira — diz Lívia, que cursou joalheria contemporânea na escola Contacto Directo, em Portugal, e dá aulas de ourivesaria e criação.
Com ateliê-escola montado no Leblon, Lívia costuma desdobrar um conceito dentro das coleções como numa série artística. Numa delas, intitulada Pâtisserie, o mote foi o universo de utensílios e coberturas dos doces franceses. Entre joias com desenho de forminhas, havia a pulseira Mil Folhas, com várias camadas de papel e rebites de prata. Essas criações, confessa, não foram lá muito bem aceitas comercialmente.
Aos 31 anos, Vanessa Robert, que tem loja em Ipanema, compara suas joias a roupas.
— Elas têm que vestir bem, se adaptar ao corpo. Por isso, faço muitas experimentações de movimento das peças, de peso do material — diz Vanessa, que se graduou na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi/Uerj), estudou joalheria na Central Saint Martins, em Londres, e no começo da profissão morou seis meses na Índia.

Ser adepto de um estilo mais autoral, porém, não significa fechar os olhos para a tecnologia. Felipe e Lívia, por exemplo, usam computação gráfica e impressoras com tecnologia 3D para fazer moldes. Na coleção Arábia, Lívia desenvolveu todos os desenhos de arabescos em computador e imprimiu os moldes em cera com uma impressora 3D. Felipe também usou a prototipagem rápida na coleção Fashion Classic, que tem anéis com desenhos usados em tecidos, como poás e xadrezes.
— Também uso materiais alternativos, como no bracelete Punk, feito de prata com correia automotiva. Muitas vezes não faço projeto, desenho um esboço e vou para a banca com a ideia na cabeça — explica o moço.
Sempre experimentando, Vanessa já mesclou recursos de gravura ao processo de produção. Foi assim com a coleção Aura Viva:
— A partir da foto de uma árvore, fiz um desenho em alto contraste, transferido para o metal usando a técnica de silk screen. A tinta protege o metal quando ele é mergulhado no ácido, que grava a imagem ali em baixo-relevo.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Henrique Steyer se aventura pelo design

Conhecido pelos interiores irreverentes que cria, Henrique Steyer apresenta sua primeira coleção de mobiliário. Destaque para o armário New Classic, cuja inspiração veio da arquitetura clássica, quando os edifícios eram criados a partir da composição base-corpo-coroamento. Steyer transpôs essa lógica para o armário, mas com um toque art déco, como se observa na imagem acima. 


Como surgiu a ideia? “Eu pensava em fazer um armário para mim, queria um móvel curinga, que pudesse ser usado em um hall de entrada, um quarto ou até mesmo numa sala de banho”, conta o arquiteto gaúcho.
Além da New Classic, Steyer lança duas linhas de móveis. É o Bicho tem como inspiração animais típicos da fauna brasileira. As peças lúdicas assumem a forma de macacos, onças, capivaras, jacarés e tamanduás. Já as estantes Niño têm a forma de bonequinhos
de papel, e vêm nas versões masculina e feminina. Os móveis de ambas as linhas contam com tamanhos diferentes, e o acabamento varia entre laminados de madeira, laca fosca e laca brilho.
Produzidas pela Signo Móveis, as peças serão lançadas durante a feira Casa Brasil, em Bento Gonçalves, RS.

Para ver outras fotos da coleção de Henrique Steyer, clique aqui


FONTE: Casa Vogue

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Almir Mavignier revê a sua produção


Depois de um corredor com algumas obras emblemáticas de mais de 60 anos de carreira, a sala principal do ateliê de Almir Mavignier em Hamburgo revela de imediato três pinturas figurativas da década de 1940. São as únicas em meio a telas abstratas, esculturas geométricas e centenas de cartazes. Mas representam o início de uma trajetória transformada pela convivêncipinta com os internos do Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, no ateliê coordenado por Nise da Silveira; pela descoberta do design nas aulas da Escola da Forma em Ulm, na Alemanha, país adotado pelo carioca desde 1953; pela experiência como professor em Hamburgo, onde mora desde 1965, com a mulher, a alemã Sigrid Quarch.
Aos 88 anos, com um edema no olho direito causado por diabetes, Mavignier não pinta mais, dedicando-se aos cartazes que o consagraram. O que ele chama de ateliê, portanto, não é um espaço de criação, e sim um pequeno museu, acervo de seu trabalho. Agora, um pedaço dessa produção chega aos brasileiros, que o conhecem pouco, pelo livro “Almir Mavignier” (Memória Visual), que a jornalista e curadora Daniela Name lançou dia 02 de setembro, às 19h, na Casa de Cultura Laura Alvim, em debate com a crítica Fernanda Lopes, que fez a cronologia comentada da obra.

Hoje, o artista produz no próprio apartamento. Na parede da sala, tem destaque a obra “Progressão e rotação” (1952-53), tela que marca o início da virada em sua forma de pintar, após uma visita a ateliês de artistas concretos em Zurique, na Suíça, que lhe “abriu os olhos” — os mesmos que tinham sido, segundo ele, “ofuscados” pela obra do escultor suíço Max Bill exposta em 1950 no Masp, em São Paulo. Morando em Paris desde 1951, Mavignier foi a Zurique no ano seguinte para conhecer Bill. Quando o suíço lhe contou que seria o reitor de uma escola de design em Ulm, o jovem de 27 anos disse que queria ir para lá.
— Ele me respondeu: “Essa escola é para jovens alemães que foram isolados da cultura pela guerra, e não para artistas românticos que vivem em Paris”. Ele recusou, e não de uma forma elegante — conta Mavignier, na sala de casa. — Quando soube que ele ia ao Brasil receber um prêmio, pensei: “Agora vou para Ulm, porque ele não está lá”. Quando cheguei, ainda não havia escola, só capim. Fui procurar o (pintor e designer) Willi Baumeister em Stuttgart. Quando soube que eu fui para lá para ficar perto de Ulm, Bill me aceitou.
Após o choque com a língua, o hábito de comer pão à noite e o inverno que era “expulso” com uma festa de carnaval — “espécie de cabaré político, em que as meninas se vestiam de soldado”, diz —, o carioca, que teve aula com Joseph Albers, passou a explorar a luz e a geometria, as relações entre figura e fundo, com efeitos óticos que davam ritmo à pintura e, logo, aos cartazes — o que a autora, no livro, chama de “dança da forma”.
— O início foi duro. Pagava dois marcos todos os dias para comer o que sobrava de um restaurante. Mas não queria voltar. Sentia que precisava ver mais pintura, museus — diz ele, que, pouco a pouco, se deixou abrir para o mundo do design, e não largou mais. — Eu queria ser pintor. Mas nasceu uma vontade de fazer aquilo sem ambição, peguei o gosto, e hoje os cartazes são uma das coisas mais importantes para mim.

Leia a reportagem na íntegra, clicando aqui.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Como esta embalagem pode reduzir o desperdício de alimento


Por ano, quase metade dos alimentos produzidos no mundo vão parar no lixo. Mas uma simples embalagem de papel pode ajudar a reduzir este desperdício.Trata-se do FreshPaper, um dos projetos vencedores do prêmio Index 2013, que reconhece as soluções de design sustentável para enfrentar desafios globais.
Desenvolvido pela jovem designer indiana Kavita Shukla, o FreshPaper é uma simples folha de papel repleta de especiarias orgânicas, que inibem o crescimento de bactérias e fungos, aumentando de duas a quatro vezes o prazo de validade de frutas e legumes e vegetais.
A ideia surgiu de uma dor de barriga, que não aconteceu. Explica-se. Há alguns anos, enquanto visitava familiares na Índia, a estudante acidentalmente bebeu um pouco de água da torneira. Preocupada, sua avó deu-lhe um "chá de especiarias", para evitar que a menina adoecesse. A fórmula bendita não só impediu que Kavita sofresse alguma infecção, como aguçou a curiosidade da jovem.
Depois de anos de experiências com as especiarias (começando com um projeto de ciências no ensino médio), ela descobriu uma nova aplicação do remédio - uma maneira surpreendentemente eficaz para manter os alimentos frescos.
Aos 17 anos, ela foi premiada com uma patente para o FreshPaper. Hoje, a embalagem está disponível nas lojas de todo o Estados Unidos, incluindo as gigantes Whole Foods e Wegmans, e é utilizada por agricultores e famílias em mais de 35 países.
Agora, com sua empresa social a Fenugree, Kavita pretende usar os 100 mil euros que recebeu do Index, para aumentar a distribuição da embalagem na África e na Índia através de parcerias com ONGs e instituições de pesquisa.


FONTE: Exame

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Concurso para professor na Esdi

Estão abertas até o dia 26 de setembro as inscrições para concurso que selecionará professor para a Esdi. O certame, na área Desenho Industrial, foca a ênfase "Design em ambientes digitais". A posição é de professor adjunto, com exigência de doutorado, além dos requisitos de formação conforme edital. O regime de trabalho será de 40 horas semanais e o vencimento base R$ 5.497,00. A taxa de inscrição no concurso é de R$ 274,85 e pode ser paga em qualquer agência do Banco Bradesco. As inscrições deverão ser feitas, até a data indicada, na Secretaria da Esdi, pelo candidato ou seu procurador, de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 16h30, quando poderá ser obtida cópia do edital completo do concurso. As provas – escrita, de aula e de títulos – ocorrerão no mês de outubro deste ano.

Edital e mais informações, no site da Superintendência de Recursos Humanos, da UERJ.


FONTE: Sinal 479 ESDI