sexta-feira, 3 de julho de 2015

Mercado de móveis: mãos que dão vida a formas inovadoras

Time de especialistas fala sobre a importância do design para o desenvolvimento da indústria moveleira

por Rodrigo Bertolucci, Simone Candida e Ludmilla de Lima.

Designers. Bernardo Senna, o casal Fernanda e Leo Mangiavacchi e Felipe Rangel: parceria com a indústria moveleira (Agência O Globo / Pedro Kirilos)

RIO - Transformar a madeira em objeto útil ou decorativo não é trabalho simples. Para comprovar isso, um time de especialistas na arte de criar móveis, formado por Bernardo Senna, Felipe Rangel e o casal Leo e Fernanda Mangiavacchi, coordenou, durante oito meses, a segunda edição da Oficina Senai Design, que mostrou para marceneiros e diretores de indústrias moveleiras a importância do design para o desenvolvimento do setor. Desse encontro, nasceram 19 produtos, que puderam ser conferidos na exposição Rio+Design e também no Salão Internacional do Móvel de Milão, realizado em abril.

Nove empresas e cinco escritórios de design, todos do Rio, participaram da oficina, encerrada no último dia 11. Entre as peças criadas a partir desse casamento está o Sofá Proa, trabalho que envolveu Leo e Fernanda, do escritório Fantastico Studio di Design, e a fábrica Vimoso.

— Trata-se de uma fábrica que tem 65 anos de tradição e investe em mobiliário com fibra natural. Recentemente, ela passou a buscar profissionais de design para fazer um produto diferente. O papel do designer, nesse momento, é muito importante para ajudar a repensar e transformar uma tradição de anos em algo contemporâneo e que traga bons resultados para a empresa — explica Leo, formado em design industrial pelo Istituto Superiore per le Industrie Artistiche (ISIA) de Roma.

Leo já desenvolveu produtos para empresas como Vitra, Flos, Hansgrohe, Guzzini e Kartell, foi diretor do Istituto Europeo di Design (IED) em São Paulo e esteve à frente do departamento de produtos do escritório Ana Couto Branding no Rio.

 
Sofá Proa. Linhas retas (Fabiano Veneza / Divulgação)

No sofá criado durante a oficina, o casal inovou com a incorporação de cordas náuticas e um desenho de poucos ângulos retos. O toque dos designers, que não deixaram de lado a quase sempre esquecida parte de trás do sofá, conferiu mais leveza à peça, que ganhou ar contemporâneo.

— Atualmente, quem se preocupa em decorar a parte de trás de um sofá? — questiona Fernanda, que estudou na Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro (Esdi) e é especialista em design de móveis pela Universidade do Estado de Santa Catarina.

O produto também foi pensado de forma sustentável, sendo fabricado com madeira tauari, de reflorestamento e tipicamente brasileira, e com verniz à base de água, que não agride o meio ambiente. Na avaliação de Fernanda, as indústrias cariocas de móveis têm valorizado o design como ferramenta de inovação:

— As indústrias estão mais antenadas e se aperfeiçoando para melhorar os seus produtos, deixá-los mais contemporâneos. Hoje, o design não é ligado apenas ao luxo, e ganha espaço em vários segmentos. O mercado carioca está em crescimento. A oficina do Senai desmitificou alguns dogmas do nosso meio.

CIDADE REFERÊNCIA EM CRIATIVIDADE

O designer Felipe Rangel, do Estúdio Baobá, também levou sua arte aos fabricantes. Ele trabalhou o Home Office HO01 com a empresa Pereira Lopes. Trata-se de um móvel para quem tem que adaptar um canto da casa como espaço de trabalho.

Compacto. O Home Office HO01: escritório em casa (Fabiano Veneza / Divulgação)

— É um sistema modular com iluminação embutida. O tampo que serve de mesa possui uma identidade múltipla. Quando aberta, a peça assume sua função principal, de um escritório em casa. Quando fechada, libera o espaço para circulação e outros usos — explica Rangel, formado em design de produtos pela PUC-Rio.

Ele integrou, por oito anos, a equipe do escritório Indio da Costa, desenvolvendo produtos para as empresas Arno, Spirit, GE/Dako, Cognitec e Ambev, entre outras.

Rangel lembra que o Rio era uma grande referência no desenho e na fabricação de móveis nos anos 50 e 60. Para ele, o setor tem crescido significativamente nos últimos anos:

— A cidade é uma capital criativa e está cada vez mais forte no setor moveleiro. Hoje, por exemplo, temos eventos como o Rio+Design, que divulga o design carioca.

Bernardo Senna, do escritório Caburé Studio, trabalhou sua marca registrada — a apropriação criativa de tecnologias tradicionais — no desenho do móvel batizado de Estação de Trabalho Sapri, idealizado em parceria com a empresa Lucareli Mobili.

Assim como a criação de Felipe Rangel, a peça é voltada para quem trabalha em casa, mas tem pouco espaço. O móvel mistura vários materiais, como tecido, acrílico e estruturas tubulares, e pode ser personalizado. O gaveteiro com rodízio tem o tampo acolchoado, que permite virar banco.

Para o designer, iniciativas como a da oficina incentivam a indústria a investir em mais originalidade. Os móveis criados dentro do projeto do Senai têm como princípios espaços reduzidos, acabamento de alto nível, redução do custo de produção e apelo sustentável.



quinta-feira, 25 de junho de 2015

Mostra ‘Picasso e a Modernidade Espanhola' no CCBB

Exposição faz um resumo da obra do mestre andaluz e de outros artistas de seu país

por Carlos Brito

Rio - É natural, e quase inevitável, associar a obra de Pablo Picasso ao Cubismo — movimento nascido na primeira década do século passado, cuja característica principal é retratar a realidade por meio de formas geométricas. Mas se há um ponto que a mostra ‘Picasso e a Modernidade Espanhola’ consegue desmontar com facilidade é a impressão de que o pintor andaluz, um dos principais nomes da história da arte, permaneceu preso a apenas uma corrente artística.

‘O Pintor e a Modelo’ (Foto: Divulgação)

A exposição, formada por 90 peças, ocupa a maior parte do primeiro andar do Centro Cultural Banco do Brasil. Nela, é possível notar como o mestre, nascido em Málaga, transita com facilidade entre a arte clássica, o surrealismo e outras correntes, numa mistura de cores e referências visuais que, segundo o curador da exposição, Eugenio Carmona, encontrou um lugar ideal em território carioca.

“Essa mostra já passou por Florença, na Itália, e acabou de ser exibida em São Paulo. Foram experiências ótimas. No entanto, não tenho a menor dúvida em afirmar: o Rio de Janeiro é o local perfeito para ela. O sol, o calor, as cores da cidade têm muita relação com os trabalhos expostos aqui”, avalia ele, que também é professor de História da Arte da Universidade de Málaga.

As obras pertencem à coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, que fica em Madri, e estão divididas em oito módulos temáticos. Por meio deles, é possível conhecer a trajetória do artista: os desenhos, a obsessão pela figura feminina, a habilidade na criação de imagens por meio de figuras de geometria (como círculos, linhas retas e triângulos), a associação à figura do Minotauro, e os esboços e pinturas que serviram de preparação para ‘Guernica’ — a obra mais popular do artista, registro do bombardeio nazista que destruiu a pequena cidade espanhola em 1937, matando 100 civis, e que, por razões de segurança, não pode mais deixar o território espanhol.

“‘Guernica’ se transformou em algo bem maior que uma pintura — o quadro passou a ser um símbolo para muitas pessoas que viviam sob ditaduras e que acreditavam que a guerra não era o melhor caminho para se resolver conflitos. Trata-se de um dos pontos mais altos e importantes da arte ocidental”, avalia o curador.

Além das criações de Picasso, a mostra é formada por trabalhos de artistas que dialogaram com sua obra e, de uma forma ou de outra, ajudaram a construir aquilo que se convencionou chamar de Modernidade Espanhola. Quadros de Salvador Dalí, Joan Miró, Óscar Domínguez e Juan Gris são vistos em um dos principais salões da exposição, que ficará no CCBB até o dia 7 de setembro.

“O trabalho de Picasso é incrível, mas, a meu ver, quem visitar a mostra não deve se deter apenas no que ele fez. Há verdadeiras obras-primas de todos esses outros mestres. É um conjunto muito rico e variado, incluindo criações de artistas que não se tornaram tão conhecidos quanto ele, como Maruja Mallo, María Blanchard e Jorge Oteiza y de Tàpies. Essa mostra é, sobretudo, uma oportunidade única para refletir sobre a arte moderna e suas narrativas alternativas e pouco convencionais”, finaliza Carmona.

Novas aquisições - Dissertação

A significação da experiência de uso em um ambiente Virtual de Aprendizagem: estudo de caso sobre a plataforma Moodle no CEDERJ.

Autor: Magno Felipe Dal Magro.

(Foto: Biblioteca da Esdi - CTC/G-Uerj)

Essa pesquisa é um estudo de caso sobre a interação do aluno com a interface da plataforma Moodle. Para tal, foram utilizadas técnicas consolidadas de avaliação da usabilidade de interfaces digitais. Assim, com respaldo na Semiótica do americano Charles Sanders Peirce, verificou-se e discutiu-se questões subjetivas dos processos comunicativos envolvidos nos problemas interacionais identificados. Uma vez analisado o impacto desses problemas, desenhou-se um quadro geral, denominado “experiência do usuário”, no qual as interfaces avaliadas são arenas das frustrações e ações que esta proposta de inspeção foi capaz de descrever. A partir desse quadro, foram fundadas as bases para compreensão do modelo mental do usuário para propor soluções. Essas soluções são baseadas, principalmente, em prescrições de usabilidade de Jakob Nielsen, Donald Norman e Steve Krug Nesse cenário, é demonstrado como o design contribui para a elaboração de uma interface que convida à ação e reflexão, de forma a proporcionar um ambiente de interação satisfatório e consonante com as novas tendências educacionais e da cibercultura. Deste modo, também demonstra-se de que forma a Semiótica pode instrumentalizar o profissional de design a resolver situações de projeto. Por meio da documentação de metodologias e resultados, esta pesquisa apoia a boa comunicação entre projetistas, ressalta a importância da subjetividade no estudo interacional, além de propor soluções para os problemas encontrados. Em virtude dos fatos supracitados, essa pesquisa tem como produto final um acervo de informações relevantes para o histórico de projetos em design. Contemplados os requisitos de usabilidade propostos por essa pesquisa, espera-se que, no futuro, tais requisitos sejam validados, para que o impacto produzido pelas mudanças implementadas possam ser avaliados. Assim, poderá ser verificado como essas mudanças impactarão no processo comunicativo da nova proposta interacional e se elas se converteram realmente em satisfação na experiência do usuário. Com isso, pretende-se que o foco da interface passe a ser a associação da satisfação do uso ao processo de aprendizagem.

Acesse a íntegra em:

Evento gratuito leva Joaquim Marçal Ferreira de Andrade ao IMS

Pesquisador da Biblioteca Nacional participa de série Conversas na Galeria

por Redação Veja Rio

Augusto Malta
Augusto Malta: trabalhos do fotógrafo estão expostas no local do bate-papo 
(Foto: Augusto Malta/Arquivo Geral da Cidade/Divulgação)

O Instituto Moreira Salles recebe Joaquim Marçal Ferreira de Andrade nesta quinta (25), às 17h. O pesquisador participa da série Conversas na Galeria, composta de encontros de críticos, professores e especialistas com o público no local. A entrada é gratuita.

Mestre em design pela PUC e doutor em história social pela UFRJ, Joaquim é professor de fotografia da PUC e pesquisador da Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional. Sua palestra irá acontecer em meio às obras da exposição Rio: primeiras poses – Visões da cidade a partir da chegada da fotografia (1840-1930).

Conversas na galeria: Joaquim Marçal Ferreira de Andrade
Data: quinta, 25 de junho
Horário: 17h
Local: Instituto Moreira Salles
Endereço: Avenida Marquês de São Vicente, 476 - Gávea
Entrada gratuita.